A Prefeitura de Niterói iniciou nesta quarta-feira (21) as obras de recuperação do Túnel do Tibau, estrutura que conecta a Lagoa de Piratininga ao mar, na Região Oceânica. Com investimento de R$ 38 milhões e prazo estimado de 12 meses, a intervenção busca restabelecer a circulação de água e recuperar as condições ambientais do ecossistema.
O prefeito Rodrigo Neves acompanhou o início dos trabalhos. A expectativa é que, após a conclusão da obra, o fluxo de água do mar para a lagoa seja mais do que triplicado, superando mil litros por segundo.
A renovação da água é considerada importante para melhorar sua qualidade, preservar a biodiversidade e diminuir o risco de episódios de mortandade de peixes, associados ao desequilíbrio ambiental.
Desmoronamentos comprometeram a estrutura
Construído pelo Governo do Estado há mais de duas décadas, o Túnel do Tibau sofreu desmoronamentos entre 2018 e 2019. Os danos comprometeram parte da estrutura e reduziram significativamente a entrada de água do mar na lagoa.
Diante da demora na recuperação, a Prefeitura de Niterói decidiu assumir a execução e a gestão da obra. Segundo o município, as autorizações ambientais e da Marinha necessárias para o início dos serviços foram obtidas.
“ A queda de pedras e os desmoronamentos no Túnel do Tibau reduziram drasticamente a entrada de água do mar na Lagoa de Piratininga, provocando desequilíbrios ambientais e episódios de mortandade de peixes. Com essa obra, vamos mais do que triplicar o fluxo de água do mar para a lagoa, ultrapassando mil litros por segundo. É uma intervenção fundamental para a preservação da Lagoa de Piratininga para as atuais e futuras gerações. Foram anos de luta para viabilizar essa intervenção. Quero parabenizar os engenheiros que desenvolveram esse projeto e agradecer ao governador em exercício, Ricardo Couto, e à Marinha pelas autorizações que permitiram o início dos trabalhos”, afirmou Rodrigo Neves.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Gabriel Velasco, também ressaltou a importância da intervenção para a recuperação ambiental da lagoa.
“Foi um trabalho intenso para que essa obra pudesse finalmente sair do papel. Estamos falando de uma intervenção fundamental para recuperar a circulação das águas e devolver à Lagoa de Piratininga suas condições ambientais. É uma conquista importante para a cidade e para a população que vive e depende desse ecossistema”, declarou.
Sistema provisório manterá entrada de água do mar
Enquanto o túnel passa pela recuperação, a Prefeitura prepara um sistema temporário de bombeamento para manter o fornecimento de água do mar à Lagoa de Piratininga.
Uma bomba e parte dos dutos já foram instaladas. Mergulhadores também atuam na preparação da área interna da estrutura para permitir a implantação do sistema.
Atualmente, as equipes retiram o revestimento original de concreto e os fragmentos de rocha soltos. O trabalho utiliza retroescavadeira e rompedor hidráulico para expor a superfície rochosa e possibilitar uma avaliação técnica detalhada das condições do túnel.
A partir dessa análise, serão definidos os tratamentos necessários para recuperar os trechos danificados. As equipes também vão remover pedras e outros materiais acumulados em consequência dos desmoronamentos.
A próxima etapa prevê a instalação de uma tubulação submersa para transportar água do mar até a lagoa. Com o bombeamento provisório em funcionamento, as extremidades do túnel poderão ser isoladas e o interior da estrutura, esvaziado para a realização dos serviços.
Ao término da obra, o sistema temporário será desativado, e os equipamentos, as tubulações e as bases de apoio serão retirados.
Pescadores esperam melhora nas condições da lagoa
A recuperação do túnel também é vista como uma medida importante para a atividade pesqueira na região. O presidente da Associação de Pescadores Artesanais da Lagoa de Piratininga (APALAP), Luiz Mendonça, destacou os impactos da falta de renovação da água, principalmente nos períodos mais quentes.
“Essa obra é muito importante para os pescadores e para toda a região. Quando chega o verão, a água esquenta, falta oxigênio e os peixes acabam morrendo. Isso prejudica não apenas quem vive da pesca, mas todos os moradores. Com a água do mar circulando novamente, a expectativa é melhorar a vida de todos e fortalecer a pesca de peixes e camarões”, afirmou.
Com prazo previsto de um ano, a intervenção busca restabelecer a circulação de água entre o mar e a Lagoa de Piratininga e reduzir os efeitos dos danos estruturais sobre o ecossistema local.





