PF apreende lista ligada ao bicheiro Adilsinho e investigações ampliam pressão sobre a Alerj
A apreensão de uma planilha atribuída ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e a sequência de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) aumentaram a pressão sobre a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em menos de um ano, cinco deputados estaduais, além de ex-parlamentares e familiares de políticos, tornaram-se alvos de investigações relacionadas a suspeitas de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e ligações com o crime organizado.
Segundo as investigações, a planilha apreendida na Operação Unha e Carne reúne os nomes de 61 políticos fluminenses e registra movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões. O material é analisado pela Polícia Federal, que apura suspeitas de caixa dois e financiamento ilegal de campanhas com recursos do jogo do bicho.
Declaração de Gilmar Mendes aumenta repercussão
O cenário ganhou novos desdobramentos após uma declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante julgamento realizado em abril.
Na ocasião, o ministro afirmou ter recebido de um ex-diretor-geral da Polícia Federal a informação de que entre 32 e 34 deputados estaduais da Alerj receberiam pagamentos mensais provenientes da exploração do jogo do bicho. A declaração foi feita no contexto de um julgamento sobre a sucessão do governo do Estado do Rio de Janeiro e provocou forte repercussão política.
Operações atingem parlamentares e ex-deputados
As investigações tiveram início com maior intensidade em setembro de 2025, quando a Operação Zargun teve como alvo o então deputado estadual TH Joias (MDB), investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho.
Posteriormente, a Operação Unha e Carne avançou sobre outros agentes públicos. Entre os investigados está o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, suspeito de obstrução de investigação e de possíveis vínculos financeiros com o grupo do bicheiro Adilsinho.
Em maio deste ano, o deputado Thiago Rangel (Avante) foi preso durante nova fase da operação sob suspeita de participação em um esquema de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Já em junho, o deputado Val Ceasa (PRD) tornou-se alvo de investigação do Ministério Público por suposta atuação em benefício de interesses ligados ao traficante conhecido como Peixão.
Neste mês, novas fases da Operação Unha e Carne atingiram familiares de parlamentares e ex-agentes públicos, além de resultarem em buscas contra o deputado Rafael Nobre (União Brasil), denunciado pelo Ministério Público por supostas fraudes em contratos públicos.
Clima de apreensão na Assembleia
O avanço das investigações gerou um ambiente de cautela nos bastidores da Assembleia Legislativa. Parlamentares acompanham os desdobramentos das operações enquanto partidos iniciam o processo de definição de candidaturas para as eleições de 2026.
Além das investigações em andamento, o cenário também influenciou discussões internas da Casa, como a escolha de um novo conselheiro para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), cuja definição acabou sendo adiada diante da expectativa de novos desdobramentos judiciais.
Até o momento, as investigações seguem em curso e caberá às autoridades competentes analisar as provas reunidas e garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório dos investigados.





