Mapas históricos de 1875 são restaurados e voltam a Teresópolis
Arquivo Nacional recupera terceira prancha de mapas da Fazenda Sant’Anna do Paquequer, preservando registros do século XIX
Um mapa histórico de Teresópolis produzido em 1875 pelo agrimensor Edward Laplane foi restaurado pelo Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e devolvido ao município. A peça integra um conjunto de quatro pranchas que registram as terras remanescentes da Fazenda Sant’Anna do Paquequer.
A terceira prancha havia sido doada à Casa da Memória Arthur Dalmasso em 2022 e foi recolhida em agosto do ano passado por servidoras do Arquivo Nacional para passar pelo processo de restauração.
O secretário municipal de Cultura, Wanderley Peres, acompanhado do subsecretário Arnaldo Almeida, esteve no Arquivo Nacional para buscar o documento restaurado. A peça passa a integrar as outras duas pranchas do conjunto que já fazem parte do acervo da Casa da Memória.
As duas primeiras pranchas, que apresentam registros dos morros das fazendas desde a Prata e o Meudon e de regiões próximas à Várzea, foram restauradas em 2013 e também estão disponíveis em formato digital para pesquisadores.
Os mapas pertenciam ao cidadão Francisco Barthel, proprietário da Fazenda Casa Branca, e posteriormente chegaram às mãos do médico e historiador Antônio Sumavielle. As duas primeiras pranchas foram doadas ao município pelo médico José da Silva Pereira em 2011.
A terceira prancha também foi doada por José da Silva Pereira e entregue ao diretor da Casa da Memória, Rafael Corrêa, em 2022.
Segundo Wanderley Peres, a peça foi localizada durante o levantamento do acervo de Antônio Sumavielle.
“Todos os preciosos guardados do médico Antônio Sumavielle foram doados ao acervo Pró-Memória Teresópolis em 2010, pelos amigos Iza e José Pereira, quando eu era secretário de Cultura e encontrei enroladas as duas primeiras pranchas desse mapa do agrimensor Edward Laplane. No ano seguinte, eles foram buscados para o restauro e entregues em 2013. Aí, levantando o rico acervo, encontrei a terceira das quatro pranchas do mapa, dobrada dentro de uma bolsa, perdido entre tantos outros itens de menos importância, e devolvi ao Pereira, para que fizesse a entrega, pessoalmente, à Casa da Memória, o que ocorreu em julho de 2022, quando lancei o livro Viagem ao Passado”, conta o secretário de Cultura, Wanderley Peres.
Após retornar ao cargo de secretário de Cultura, em janeiro de 2025, Wanderley Peres entrou em contato com o Arquivo Nacional para solicitar a restauração da peça.
“Não conhecia ninguém do Arquivo Nacional e arrisquei o pedido num e-mail, onde apontei para a importância do restauro e o risco de perda do bem em depreciação. Sem esquecer de agradecer, mais uma vez, pelo presente de mais de dez anos atrás. Demorou mais de 6 meses para a resposta, mas ela veio na forma do sim. Logo estiveram na cidade as servidoras Gláucia Vaz e Maria Julia, que revisitaram os mapas restaurados e levaram o que faltava recuperar. Agora, um ano depois, os mapas voltaram para a Secretaria de Cultura, devidamente restaurados pelas mãos cuidadosas das zelosas servidoras Alda Arcoverde e Bárbara Braga, da área de Coordenação de Preservação do Acervo, que trabalharam diretamente no processo”, relatou o secretário.
O secretário também destacou a importância do trabalho realizado pelo Arquivo Nacional e o custo que um serviço de restauração desse tipo representaria para o município.
Segundo ele, ainda existe uma quarta prancha do conjunto que não foi localizada. A Secretaria de Cultura realiza investigações para tentar encontrar o documento e, caso ele seja recuperado, poderá solicitar novamente o apoio do Arquivo Nacional para sua restauração.
Restauração preserva documentos do século XIX
Os três mapas passaram por diferentes técnicas de conservação e restauração. O trabalho incluiu limpeza mecânica e testes de solubilidade para verificar a estabilidade das tintas e garantir maior segurança durante o tratamento.
Também foram realizados procedimentos para consolidar rasgos, aplainar pontos do suporte e laminar o verso dos documentos com papel artesanal e cola metilcelulose.
O processo incluiu ainda secagem e aplainamento sob peso, remoção de consolidações existentes na parte frontal dos mapas, reencolagem e utilização de prensa hidráulica para o aplainamento final.
As etapas foram concluídas com o refilamento das bordas, reintegração cromática de algumas áreas com lápis aquarelado e confecção de embalagens em etaflon para o transporte e a guarda dos documentos.





