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Polícia Civil desarticula esquema de pirâmide ligado a igreja em Niterói

Operação Golpe de Fé cumpre mandados contra grupo que prometia até 10% ao mês e teria causado prejuízo de R$ 1,11 milhão

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Golpe de Fé para desarticular uma organização criminosa investigada por aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um falso banco digital vinculado a uma igreja evangélica.

A ação é conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) e tem como objetivo cumprir 38 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem em endereços na capital do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além de São Paulo.

Segundo as investigações, o principal alvo é o líder de uma igreja evangélica que inicialmente funcionava em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói. Ele teria utilizado a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de fiéis e de outras pessoas de sua rede de influência.

De acordo com os agentes, o líder convencia as vítimas a investir em uma plataforma operada por uma empresa conhecida entre investidores como “Banco do Pastor”. A promessa era de rendimentos de aproximadamente 10% ao mês sobre os valores aplicados.

“Ele utilizava o púlpito como verdadeiro balcão de negócios.”

— Vinícius Miranda, delegado

Após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos deixaram de ser pagos. Inicialmente, os responsáveis apresentavam diferentes justificativas para o atraso, até que as restituições foram completamente interrompidas.

As investigações identificaram, até o momento, pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao esquema. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 1,11 milhão.

A apuração indica que o grupo teria uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre pessoas responsáveis pela captação de clientes, operadores financeiros e integrantes que utilizavam pessoas físicas e jurídicas para administrar e movimentar os recursos obtidos das vítimas.

Investigação aponta uso de empresas e possíveis laranjas

O quadro societário da empresa responsável pelo suposto banco digital também chamou a atenção dos investigadores. O capital social declarado era de R$ 5 milhões, mas alguns dos sócios registrados não apresentavam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos.

Para os investigadores, essa circunstância indica a possível utilização de laranjas para ocultar os verdadeiros controladores e beneficiários da estrutura.

Os recursos obtidos das vítimas teriam sido direcionados para contas pessoais do principal alvo e para empresas ligadas a ele. Entre os negócios estão empresas dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos.

Uma conta vinculada a uma instituição de pagamentos também teria sido utilizada como uma espécie de “conta de passagem” do esquema. Somente nessa conta, foram identificadas mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.

A investigação aponta ainda a participação de familiares do líder religioso. A esposa e o filho dele figurariam como sócios de empresas utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de grandes quantias em espécie.

A operação conta com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).

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