
ONU aprova resolução para promover mapa-múndi com áreas mais proporcionais
Projeção Equal Earth reduz distorções da tradicional Mercator e representa melhor o tamanho relativo dos continentes; proposta teve 164 votos favoráveis e apenas os EUA foram contra.
A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta sexta-feira (4) uma resolução que incentiva a adoção de mapas-múndi capazes de representar com maior precisão o tamanho relativo dos continentes. A iniciativa promove o uso da projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018, como alternativa à tradicional projeção de Mercator.
A resolução recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e apenas um voto contrário, dos Estados Unidos. O texto não proíbe a utilização da projeção de Mercator, mas recomenda que países, organizações internacionais, instituições de ensino e outros setores considerem modelos de áreas equivalentes, como a Equal Earth.
A mudança busca corrigir uma distorção conhecida na representação de mapas planos. A projeção de Mercator foi criada no século XVI para facilitar a navegação marítima e amplia visualmente territórios localizados em regiões próximas aos polos.
Por isso, áreas como Europa, América do Norte e Groenlândia aparecem proporcionalmente maiores do que são quando comparadas a regiões próximas ao Equador. A África, por exemplo, tem cerca de 14 vezes a área da Groenlândia, embora as duas regiões pareçam ter dimensões semelhantes em mapas baseados na projeção de Mercator.
O que muda com a Equal Earth
A Equal Earth é uma projeção de áreas equivalentes, ou seja, busca preservar a proporção das superfícies territoriais. Com isso, a África aparece significativamente maior em relação à Europa e à Groenlândia, enquanto regiões próximas aos polos deixam de apresentar a mesma ampliação visual observada na Mercator.
A projeção não elimina todas as distorções. Qualquer representação da superfície curva da Terra em uma folha ou tela precisa fazer concessões em aspectos como forma, distância, direção ou área. A diferença é que a Equal Earth prioriza a preservação das proporções territoriais.
A resolução aprovada pela ONU foi apresentada pelo Togo com apoio de outros países africanos e da União Africana. Os defensores da iniciativa afirmam que a forma como o mundo é representado influencia a percepção sobre o tamanho e a importância relativa das diferentes regiões.
O papel do IBGE
No Brasil, o IBGE já utiliza diferentes projeções cartográficas e publicou mapas-múndi com escolhas alternativas de representação. Entre elas estão mapas que colocam o Brasil no centro, mostrando que a posição dos continentes em um mapa não é uma característica natural do planeta, mas resultado de decisões cartográficas.
A adoção de uma nova projeção pela ONU, portanto, não significa que exista um único “mapa correto” do mundo. A proposta busca ampliar o uso de representações que sejam mais adequadas quando o objetivo é comparar o tamanho das áreas terrestres.





