
Dados de brasileiros são vendidos na dark web por até R$ 67
Pesquisa aponta preços de cartões, redes sociais, e-mails e serviços de streaming, além de valores que chegam a milhares de reais para contas financeiras comprometidas.
Dados pessoais de brasileiros são comercializados na dark web por valores que podem começar em cerca de R$ 26 e chegar a milhares de reais, segundo pesquisa da NordVPN divulgada neste mês. Entre os itens negociados estão cartões de pagamento, informações pessoais, contas de redes sociais e acessos a serviços de streaming.
O levantamento mostra que cartões de pagamento roubados têm preço mediano de aproximadamente US$ 13, o equivalente a R$ 67. Já conjuntos completos de informações pessoais, conhecidos como “fullz”, são vendidos por cerca de US$ 40 (R$ 208) e podem reunir nome completo, data de nascimento, endereço e informações de cartões.
Contas de redes sociais também aparecem entre os dados comercializados. Acesso a perfis do Telegram custa cerca de US$ 12 (R$ 62), enquanto contas do TikTok chegam a US$ 60 (R$ 312). Perfis de serviços de streaming têm valores menores: uma conta da Netflix pode ser encontrada por menos de US$ 5, cerca de R$ 26.
Os preços mais elevados estão relacionados a contas financeiras comprometidas. Segundo a pesquisa, acessos a contas da Wise têm preço mediano de US$ 899 (R$ 4.672), enquanto contas da Revolut ultrapassam US$ 1.700 (R$ 8.840).
Para a NordVPN, os dados indicam uma diferença entre a percepção dos usuários sobre privacidade e o tipo de informação que desperta interesse dos criminosos. Embora 37% dos brasileiros afirmem temer que informações pessoais estejam circulando na internet sem conhecimento, contas utilizadas no cotidiano, como e-mail, redes sociais e serviços de streaming, também estão entre os alvos.
Brasileiros estão entre os que mais compartilham dados
A pesquisa aponta ainda que brasileiros estão entre os usuários que mais compartilham informações pessoais na internet entre os países analisados.
Segundo o levantamento, 82% dos entrevistados no Brasil afirmam já ter compartilhado o nome completo online. A data de nascimento foi divulgada por 78%, enquanto 63% disseram ter compartilhado o endereço residencial completo e o status de relacionamento.
O CPF também aparece entre as informações divulgadas. Ao todo, 51% dos brasileiros entrevistados afirmaram já ter compartilhado o documento na internet. Outros 21% disseram ter divulgado dados bancários.
O comportamento também gera arrependimento. De acordo com o estudo, 21% dos participantes brasileiros se arrependeram depois de divulgar alguma informação pessoal online. O percentual é quase o dobro da média global.
A dependência da internet também aparece no levantamento: 33% dos brasileiros afirmam que não conseguem imaginar passar um dia inteiro sem estar conectados.
Os dados foram coletados pela empresa Cint entre 1º e 17 de abril de 2026, com mais de 20 mil usuários de internet de 20 países. No Brasil, participaram 1.003 pessoas entre 18 e 74 anos.





