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Ex-procurador do Instituto Rio Metrópole volta a ser preso após novas provas

Marcelo Lopes da Silva teve prisão preventiva decretada após análise de celular apreendido apontar, segundo o MPRJ, novos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro

O ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), Marcelo Lopes da Silva, voltou a ser preso nesta quarta-feira (16), após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentar novas provas relacionadas à Operação Ouroboros.

Marcelo foi detido em casa, no bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio, por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). A nova prisão preventiva foi obtida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ).

O ex-procurador já havia sido preso na primeira fase da operação, mas teve a prisão preventiva revogada após uma decisão em habeas corpus.

A nova ordem foi expedida pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital depois que a análise do celular apreendido com Marcelo revelou, segundo o GAESF/MPRJ, novos indícios de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Contrato de R$ 30 mil

De acordo com o Ministério Público, Marcelo teria orientado a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual (MEI) para ser contratado pela Engeconsult.

A empresa mantinha contratos milionários com o Instituto Rio Metrópole e, segundo a investigação, seus ajustes dependiam da análise da Procuradoria chefiada por Marcelo.

O contrato previa R$ 30 mil, divididos em seis parcelas de R$ 5 mil, por supostos serviços administrativos. Para o GAESF/MPRJ, o MEI teria sido utilizado para ocultar o pagamento de uma vantagem indevida ao então agente público.

Mensagens recuperadas do celular indicariam ainda que Marcelo pediu que as tratativas não fossem registradas por escrito. Segundo a investigação, o contrato foi assinado no mesmo dia em que a empresa foi criada e apresentava data anterior à constituição do negócio.

Os pagamentos seriam realizados em uma conta bancária de titularidade de Thays.

Mensagens apontam atuação no IRM

A análise do aparelho também revelou conversas que, segundo o Ministério Público, indicariam uma atuação de Marcelo para liberar pareceres de interesse do grupo, interferir em documentos inseridos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e evitar o encaminhamento de determinadas questões a órgãos externos de controle.

Em uma das mensagens, ao tratar de um caso que poderia ser encaminhado à Procuradoria-Geral do Estado, Marcelo escreveu:

“Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”.

— Marcelo Lopes da Silva, segundo mensagem citada pelo MPRJ

Mesmo após deixar a Procuradoria do Instituto Rio Metrópole, em 8 de junho, Marcelo teria continuado à disposição do grupo investigado.

Sete dias depois de deixar o cargo, ele recebeu um novo pedido para elaborar um parecer e respondeu:

“Deixa comigo”.

— Marcelo Lopes da Silva, segundo mensagem citada pelo MPRJ

Para o GAESF/MPRJ, o episódio indica que a atuação atribuída ao ex-procurador teria continuado mesmo após sua saída do cargo público.

Novas acusações

Com as novas provas, o Ministério Público aditou a denúncia apresentada anteriormente. Marcelo passou a responder por mais seis acusações de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro.

Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também passou a responder por seis novos crimes de lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu o aditamento da denúncia.

Operação Ouroboros

A primeira fase da Operação Ouroboros resultou na denúncia de 11 pessoas por suposta participação em um esquema de desvio de recursos do Instituto Rio Metrópole.

Segundo a acusação, contratos firmados pelo IRM movimentaram R$ 86,28 milhões. Parte dos valores pagos à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia teria sido repassada ao Instituto BIO, entidade que, conforme a investigação, não possuía estrutura operacional compatível com os serviços contratados.

Ainda de acordo com o MPRJ, os recursos posteriormente eram sacados em espécie.

A investigação começou após a apreensão, em janeiro, de R$ 500 mil em dinheiro vivo que eram transportados sob escolta armada.

A apuração identificou 28 transferências das empresas contratadas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões. Também foram registrados 13 saques que somaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.

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