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Cultura Surda reúne arte, literatura e Libras em Niterói

Evento gratuito acontece neste sábado (26), no Campo de São Bento, com poesia, dança, literatura, atividades infantis e feira cultural

O Campo de São Bento, em Icaraí, recebe neste sábado (26) uma programação gratuita dedicada à Cultura Surda. Das 10h às 14h, o público poderá acompanhar apresentações de poesia em Libras, performances visuais, dança contemporânea, literatura, atividades para crianças e uma feira com artistas e empreendedores surdos.

Promovido pela Secretaria Municipal das Culturas de Niterói (SMC), o encontro apresenta diferentes formas de produção artística da comunidade surda e também busca ampliar o conhecimento sobre a Cultura Surda.

O conceito reúne experiências e manifestações culturais construídas pela comunidade surda, tendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a experiência visual, as identidades e diferentes formas de perceber o mundo como elementos de expressão.

Poesia e criação visual

A programação começa às 10h com o Slam de Poesia em Libras, apresentado e mediado por Juliana Rodrigues. Participam Alef Felipe de Sousa, Weslei Rocha, Jullie Liza e Lúcio Macedo.

Das 10h30 às 11h30, será realizada a Poesia Visual Vernacular (VV), com participação de Lúcio Macedo; Juliana Rodrigues e Weslei Rocha, que apresentam “Natureza das Mãos”; Silas Queiroz; Alef Felipe de Sousa e Jullie Liza.

Na poesia em Libras, a criação ocorre diretamente na língua de sinais, utilizando mãos, corpo, expressões faciais, movimentos e espaço como elementos poéticos. Já a Poesia Visual Vernacular constrói narrativas principalmente por meio de recursos visuais e corporais.

Dança explora corpo e movimento

Ao meio-dia, Flávia Oliver conduz um aulão de dança contemporânea e composição coreográfica coletiva. Ela é formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 2024, tornou-se a primeira mestra surda em Dança do Brasil e a primeira pessoa surda licenciada em dança no país.

A atividade propõe experiências baseadas no corpo, na vibração e no movimento, considerando formas de percepção que não dependem da experiência sonora.

Literatura destaca experiências da comunidade surda

A programação também terá obras produzidas por autores surdos e trabalhos relacionados a Libras, surdez, identidade, educação e experiências da comunidade.

Entre os participantes está João Paulo Silva, pedagogo, arte-educador e mestre em Diversidade e Inclusão pela Universidade Federal Fluminense (UFF), autor do livro infantil “A Luva Mágica”.

Também participam Luciane Rangel Rodrigues, pedagoga, doutora em Tecnologia, Ciências e Inclusão pela UFF e docente da UFRRJ, e Luciane Cruz Silveira, linguista, doutora em Linguística pela UERJ e professora de Libras do INES/DESU.

Entre as obras apresentadas está “O Novo Caminho de Maura e Paulo”, que aborda a amizade entre uma menina surda e um menino ouvinte que ainda não conhece Libras.

Flávia Pascoal apresenta “A Boneca FLALIBRAS e o Mundo das Emoções”, obra que aborda Libras, emoções, representatividade e direitos humanos.

Atividades aproximam crianças da Libras

As crianças terão um espaço próprio de recreação em Libras, conduzido pela professora Cristiane Alves Sant Anna. Brincadeiras, desenhos e outras atividades lúdicas serão utilizadas para aproximar crianças surdas e ouvintes da língua de sinais.

Feira reúne produção de artistas e empreendedores

Durante todo o evento, uma feira cultural reunirá aproximadamente 15 expositores da comunidade surda de Niterói. O espaço terá artesanato, gastronomia, arte, produtos autorais e outras iniciativas.

Além de apresentar os trabalhos ao público, a feira destaca a atuação de pessoas surdas em áreas relacionadas à criação, trabalho, autonomia, geração de renda e empreendedorismo.

Acessibilidade integra políticas culturais

A programação faz parte das ações da Secretaria Municipal das Culturas para ampliar a acessibilidade cultural em Niterói. Entre as iniciativas está a Mediação Acessível em Libras no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), realizada mensalmente.

Desde 2021, a secretaria também mantém políticas afirmativas em editais culturais, com reserva de vagas para artistas e agentes culturais com deficiência. Os projetos selecionados podem incluir recursos destinados a medidas de acessibilidade, como Libras e audiodescrição.

A presença de intérpretes de Libras em eventos institucionais da secretaria também integra as ações permanentes.

Para a secretária municipal das Culturas, Júlia Pacheco, a participação de pessoas surdas na produção cultural é parte de uma política de ampliação da acessibilidade.

“A acessibilidade cultural precisa estar presente de forma permanente nas políticas públicas de cultura. Em Niterói, temos avançado para que as pessoas surdas não sejam apenas público das atividades culturais, mas estejam também como artistas, produtoras e protagonistas de suas próprias narrativas.”

— Júlia Pacheco, secretária municipal das Culturas

Construído com participação da comunidade surda, o encontro adota o princípio “Nada sobre nós, sem nós” e reconhece a Libras como língua, espaço de criação, identidade, expressão artística e produção de conhecimento.

Serviço

Cultura Surda – Niterói

26 de setembro, sábado, das 10h às 14h.

Campo de São Bento, em Icaraí, Niterói.

A programação é gratuita e inclui feira cultural, literatura, atividades em Libras, poesia, dança e recreação infantil.

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