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Rio concentra 24 estaleiros e mira novos contratos navais

Estado reúne quase metade dos estaleiros brasileiros e busca ampliar participação em novos projetos, reparos e serviços para o setor de petróleo e gás.

O Rio de Janeiro concentra 24 dos 49 estaleiros brasileiros e se prepara para disputar novos contratos ligados à indústria naval e às operações offshore. Com a previsão de mais de 20 novas plataformas até aproximadamente 2031, empresas do estado também buscam oportunidades na manutenção e no atendimento às unidades que já estão em operação.

Os dados fazem parte da sétima edição do Panorama Naval do Rio de Janeiro, lançado pela Firjan durante a Navalshore 2026. Segundo a entidade, a cadeia naval fluminense reúne cerca de 66 mil dos 181 mil empregos relacionados ao setor no país e mais de 2 mil fornecedores de bens e serviços.

Rio tem 82% das plataformas marítimas em operação

O levantamento aponta que o Rio concentra 82% das plataformas marítimas em operação no Brasil. O mercado inclui tanto a construção de novas unidades quanto serviços de manutenção, reparos, fornecimento de equipamentos e suporte às operações no mar.

Em todo o país, o panorama contabiliza aproximadamente 170 unidades de produção instaladas, das quais 77 estavam em operação, além de uma frota estimada em 475 embarcações de apoio marítimo.

Esse cenário cria demanda para estaleiros, oficinas, fabricantes de equipamentos e empresas especializadas, inclusive antes da entrada em atividade das novas plataformas previstas para os próximos anos.

Módulos da P-80 foram produzidos em Angra dos Reis

Um dos exemplos recentes de participação da indústria fluminense está na plataforma P-80, que iniciou em 30 de setembro a viagem de Singapura ao Brasil, com destino ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

Parte dos módulos de processo da unidade foi fabricada no Seatrium BrasFELS, em Angra dos Reis, antes da montagem final em Singapura. A construção da plataforma também envolveu instalações na China e na Indonésia.

A P-80 tem capacidade para produzir 225 mil barris de petróleo e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A entrada em produção está prevista para 2027, assim como a da P-82.

No caso da P-82, os módulos produzidos no Brasil foram fabricados no Seatrium Aracruz, no Espírito Santo.

P-80 deixou Singapura rumo a Búzios em setembro de 2026; a unidade recebeu módulos fabricados no Brasil. Foto: Divulgação Petrobras.

Petrópolis participa da manutenção de turbinas

A cadeia de serviços também alcança municípios do interior do estado. Em março, a Baker Hughes anunciou um acordo de 60 meses com a Petrobras para manutenção, reparos e serviços de engenharia em até 64 turbinas a gás.

O atendimento começou em fevereiro de 2026 e envolve equipamentos utilizados em aproximadamente 19 navios-plataforma do tipo FPSO e na Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo.

Os serviços serão realizados pelo centro da Baker Hughes em Petrópolis, na Região Serrana. A unidade, inaugurada em 2010 para atender à Petrobras, trabalha com desmontagem e montagem de equipamentos e tem planos de ampliar sua capacidade, inclusive com recursos de retífica para peças de precisão.

Novas embarcações ampliam demanda no setor

A Petrobras também assinou, em maio, oito contratos com a DOF Subsea, em um pacote de R$ 11 bilhões para construção, afretamento e serviços de quatro embarcações destinadas a atividades de inspeção, manutenção e reparo submarino.

Os navios serão construídos no estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina. Segundo a Petrobras, a construção poderá alcançar até 80% de conteúdo local, enquanto a operação terá aproximadamente 90% de participação nacional.

A previsão da estatal é de cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e a operação das embarcações. Os navios terão sistema de propulsão híbrida, combinando baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental.

Baía de Guanabara ganha função logística

A Baía de Guanabara também aparece entre as áreas estratégicas para o atendimento aos novos projetos. Segundo informações da Allseas apresentadas no Panorama Naval, a empresa escolheu a região como base logística para os contratos de Búzios 10 e Atapu 2.

A proximidade dos campos pode reduzir deslocamentos marítimos e o consumo de combustível. A operação exige embarcações para transporte de combustível, tubos, equipamentos e outros materiais, além de estruturas portuárias para armazenamento e montagem.

Nesse cenário, estaleiros e diques podem atuar na manutenção das embarcações utilizadas nas operações, enquanto a estrutura em terra dá suporte à implantação da infraestrutura submarina.

Estaleiros buscam competitividade diante de capacidade ociosa

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos citados no estudo apontam que a indústria naval brasileira teria capacidade para aproximadamente 554 entregas anuais, considerando construção, reparos, docagens, módulos e atividades de descomissionamento.

A demanda, porém, permaneceu abaixo dessa capacidade nos últimos anos, deixando parte das instalações ociosa.

Para Marta Lahtermaher, diretora-geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), a retomada das encomendas pode movimentar também empresas de engenharia, equipamentos, automação e tecnologia.

“O Brasil precisa substituir uma política baseada em ciclos de encomendas por uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo.”

— Marta Lahtermaher, diretora-geral da ONIP

Entre os caminhos apontados estão investimentos em digitalização, novos processos produtivos e descarbonização, considerados importantes para manter a competitividade das empresas após o encerramento da atual carteira de projetos.

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