Teatro Leopoldo Fróes será restaurado e reaberto em Niterói
O Teatro Leopoldo Fróes, fechado desde 1991, deverá ser restaurado e voltar a receber atividades culturais no Centro de Niterói. O prefeito Rodrigo Neves assinará, na próxima semana, o decreto de desapropriação do imóvel, que passará por obras de recuperação.
A proposta é transformar o espaço em um local dedicado à produção artística de Niterói, com apresentações teatrais e outras manifestações culturais. A iniciativa integra o processo de revitalização da região central e atende a uma antiga reivindicação de artistas e produtores culturais da cidade.
Rodrigo Neves destacou a importância histórica do teatro e a intenção de ampliar as oportunidades para grupos e coletivos locais.
“Niterói é uma das cidades que mais investem em cultura no Brasil. Acreditamos na cultura como elemento fundamental de nosso pacto de bem-estar social e prosperidade. Niterói se destaca no cenário nacional por muitos de seus talentos culturais e os niteroienses amamos a cultura. Meu desejo de recuperar o Teatro Leopoldo Fróes, fechado há mais de três décadas, é um projeto que estamos tratando com muito carinho e planejamento. Ele faz parte da memória afetiva da cidade e é um desejo antigo da classe artística. A história do teatro é forte, simbólica, e desejamos que ele abrace os grupos e coletivos teatrais e culturais niteroienses com seu fazer artístico desbravador. Mais do que isso, em Niterói a cultura é um ponto chave da economia criativa. Acreditamos que o Teatro Leopoldo Fróes, ao lado da Biblioteca que reabrimos na Praça da República, será um dos pilares que se somam ao nosso plano de revitalização completa do Centro de Niterói”, afirmou o prefeito.
Inaugurado em 1973, o espaço funcionou inicialmente como Teatro Alvorada. O imóvel foi alugado pelo Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural (INDC) para atender à demanda artística durante as obras de reforma do Theatro Municipal.
Naquele período, o teatro também foi marcado pela repressão da ditadura militar. O espaço havia sido fechado por determinação do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) após a apresentação da peça “Arena conta Zumbi”, encenada pelo grupo Ceia, do Instituto Abel. Considerado subversivo pelas autoridades da época, o musical abordava a luta dos quilombolas de Palmares e sua resistência.
Após dez meses fechado, o local foi reaberto com o nome de Leopoldo Fróes, em homenagem ao ator e comediante nascido em Niterói, que teve destaque na história do teatro brasileiro.
Ao longo dos anos, o palco se tornou um ponto de encontro de movimentos e grupos que buscavam fortalecer a produção cultural da cidade, especialmente após a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em 1975. Iniciativas como “Niterói vai Sumir”, “Niterói vai Assumir” e “Araribroadway”, além dos grupos Grito e Papel Crepon, ajudaram a movimentar a cena artística local.
Na década de 1980, o Leopoldo Fróes ampliou sua programação e passou a receber espetáculos profissionais vindos do Rio de Janeiro. Projetos como “Fim de Tarde”, “Sete em Ponto”, “Pixinguinha” e “Seis e Meia” marcaram essa fase, quando o teatro também ganhou espaço como referência para shows de música popular brasileira.
Artistas como Sidney Magal, Elza Soares, Leci Brandão, Zizi Possi, Elba Ramalho e Pepeu Gomes passaram pelo local. O teatro também contribuiu para projetar músicos ligados à cena de Niterói, entre eles Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra, Marvio Ciribelli, Sergio Chiavazzoli e Marcos Sabino.
O espaço ainda recebeu atividades da Associação dos Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói (ATACEN), que iniciou ali seu tradicional ciclo de leituras dramatizadas. Sua vocação experimental contribuiu para a formação de profissionais e para a continuidade da produção cultural da cidade.
Em 1991, o teatro deixou de funcionar sob a administração municipal e acabou fechado. A decisão motivou a criação do movimento SOS Leopoldo Fróes, organizado por artistas e produtores culturais que tentaram reverter o encerramento das atividades.
A mobilização incluiu um abraço simbólico ao espaço, um show na Praça da República e um abaixo-assinado, mas não conseguiu impedir o fechamento. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o imóvel foi atingido por um incêndio.
A recuperação do teatro faz parte do processo de requalificação do Centro de Niterói, que recebeu investimentos em infraestrutura e remodelação urbana ao longo da última década. O programa Reviver Centro busca fortalecer a ocupação dos espaços públicos e ampliar as opções de cultura, lazer, esporte, gastronomia e eventos na região.
Entre as intervenções e os equipamentos citados pela Prefeitura nesse processo estão a Arena Niterói, o Complexo de Atletismo Aida dos Santos, o Solar Notre Rêve, o Museu do Cinema, o Mercado Municipal de Niterói e a Nova Catedral Católica.
A expectativa é que o retorno do Leopoldo Fróes amplie a estrutura cultural disponível no Centro e volte a oferecer um palco para artistas, grupos e coletivos da cidade.





