
MP das bets pode reduzir patrocínios de Flamengo e Fluminense em 2027
A Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, já provoca incertezas no mercado de patrocínios esportivos e pode impactar as receitas dos clubes brasileiros a partir de 2027. Segundo avaliações de profissionais do setor, os valores pagos pelas casas de apostas devem recuar e voltar a patamares próximos aos registrados antes da expansão dos contratos, em 2025.
A expectativa é que a mudança provoque uma revisão dos acordos comerciais firmados entre clubes e empresas de apostas. Mesmo que a medida provisória seja modificada pelo Congresso ou perca a validade, representantes do mercado avaliam que os valores praticados anteriormente dificilmente serão mantidos.
Patrocínios cresceram com a expansão das bets
A expansão do mercado de apostas esportivas elevou significativamente os investimentos em publicidade no futebol brasileiro. Clubes de grande torcida passaram a ocupar posição estratégica nas negociações, com contratos que atingiram cifras expressivas.
O Flamengo é um dos exemplos dessa valorização. Em dezembro de 2021, o clube fechou com a PixBet um contrato de patrocínio master de R$ 48 milhões anuais. Dois anos depois, após a regulamentação das apostas, o valor chegou a R$ 115 milhões.
Em agosto de 2025, o acordo com a Betano elevou o patrocínio para R$ 268 milhões por ano. A cifra representou um crescimento de aproximadamente 459% em relação ao contrato de dezembro de 2021, considerando o período de 56 meses.
O Fluminense também registrou aumento expressivo nos valores recebidos. No mesmo intervalo, o patrocínio do clube teve valorização de 259%, conforme os números apresentados na análise do mercado.
Flamengo e Fluminense podem perder receitas
As projeções para 2027 indicam uma possível redução significativa nos contratos dos dois clubes cariocas.
No caso do Flamengo, o patrocínio poderia voltar a um patamar próximo de R$ 115 milhões anuais, uma queda estimada em 57% em relação aos atuais R$ 268 milhões.
Já o Fluminense poderia retornar à base fixa de R$ 40 milhões anuais paga pela Superbet até março de 2026. O valor seria inferior aos R$ 53 milhões atuais, uma redução estimada em 24,5%.
As cifras são projeções de mercado, e não valores oficialmente confirmados para os próximos contratos.
Redução pode pressionar o orçamento dos clubes
A eventual queda nas receitas de patrocínio pode exigir mudanças no planejamento financeiro das equipes, principalmente daquelas que assumiram compromissos contando com a continuidade dos aportes das empresas de apostas.
O Fluminense enfrenta dificuldades para cumprir pagamentos parcelados do Regime Centralizado de Execuções (RCE), mecanismo utilizado para quitar dívidas trabalhistas.
No Flamengo, a redução da margem financeira já é apontada como um fator de pressão sobre investimentos. O clube paralisou obras de melhorias na sede da Gávea e no Centro de Treinamento Ninho do Urubu. Também existe a possibilidade de atraso no pagamento ao West Ham pela contratação de Lucas Paquetá, previsto para janeiro.
Diante desse cenário, Flamengo e Fluminense poderão precisar rever metas e despesas caso as receitas de patrocínio recuem nos próximos contratos.





