Segurança

Áudios mostram cobrança de dívida de traficante

Uma das conversas analisadas pela Polícia Civil ocorreu em fevereiro de 2024, quando My Thor ainda estava preso no Rio. Ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, em novembro de 2025.

No diálogo, My Thor reclama que um integrante do Comando Vermelho continuava recebendo drogas de outro fornecedor, identificado como Boss, sem quitar débitos anteriores. Segundo ele, a situação aumentava a dívida e poderia comprometer a imagem da facção.

“Pô, mano, ele está vendo que não está conseguindo pagar e toda hora ele fica pegando parada com os outros, fica entrando em dívida, onde ele não consegue pagar, ele só vai aumentando a dívida […] é o nome do Comando Vermelho que fica em xeque”, diz My Thor no áudio.

Na sequência, Laércio afirma que um conhecido havia assumido uma parte menor do débito, mas que ainda restava uma parcela maior a ser resolvida. Ele menciona a possibilidade de a própria facção arcar com o valor.

“Agora tem que ver quem vai assumir lá a caminhada ou vocês vão pagar aí pela caixinha. Até pra não envergonhar lá o Fernandinho, entendeu?”, afirma Laércio.

De acordo com os investigadores, a referência a “Fernandinho” seria a Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.

Lista de devedores ajudou a investigação

O nome de Laércio também aparece em uma lista de pagamentos atribuída a My Thor e apreendida durante o período em que ele estava preso. Segundo a Polícia Civil, o documento contribuiu para iniciar as apurações sobre o fornecedor de drogas.

A relação de devedores incluía pessoas identificadas pelos apelidos de Corolla, Abelha e Doca. Conforme os investigadores, Laércio fornecia grandes quantidades de entorpecentes a traficantes que recebiam as cargas e quitavam os valores posteriormente, em parcelas, de acordo com os acertos estabelecidos.

A investigação aponta que o esquema operava com fornecimento financiado, permitindo que os compradores recebessem as drogas antes de concluir os pagamentos.

Suspeito teria usado documentos falsos e laranjas

Segundo a Polícia Civil, Laércio foi preso em Maceió e teria adotado mecanismos para dificultar sua localização. Entre as estratégias apontadas pelos investigadores estão o uso de documentos falsificados para ocultar a identidade e a movimentação de recursos por meio de terceiros, conhecidos como laranjas.

As apurações também indicam que ele pretendia ampliar a atuação no mercado ilegal, incluindo possíveis negócios com integrantes do PCC e o fornecimento de armas para criminosos ligados à facção.

As informações fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Civil sobre a estrutura de abastecimento de drogas e a movimentação financeira atribuída ao suspeito.

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