Lixo do Rio vira biometano para abastecer caminhões em Seropédica
Gás produzido pela decomposição dos resíduos é tratado e transformado em combustível; até o fim do ano, 60 carretas deverão utilizar biometano
O lixo produzido diariamente no Rio de Janeiro está sendo utilizado para gerar combustível. No Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Rio, em Seropédica, na Região Metropolitana, o gás liberado pela decomposição dos resíduos é captado, tratado e transformado em biometano.
O aterro recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia, principalmente materiais orgânicos, como restos de alimentos. Durante a decomposição, esse material produz biogás, que contém metano e pode ser aproveitado para geração de energia e combustível.
Segundo o CTR Rio, a unidade produz atualmente o maior volume de gás de aterro do país. Uma rede de tubulações instalada na área de resíduos conduz o biogás até uma unidade de tratamento, onde o metano é separado dos demais componentes.
Depois do processamento, o biometano é armazenado em cilindros e distribuído para abastecer sete indústrias no estado do Rio de Janeiro. O combustível também é comercializado para 26 postos.
Carretas que transportam o lixo também usam biometano
Uma das aplicações do combustível é justamente na frota responsável pelo transporte dos resíduos do Rio de Janeiro até Seropédica.
Atualmente, 10% das carretas utilizam exclusivamente biometano. A previsão é que toda a frota, composta por 60 veículos, esteja adaptada ao combustível até o fim deste ano.
A substituição do diesel pelo biometano deve evitar a queima de aproximadamente 615 mil litros de óleo diesel por mês. A mudança também reduz a emissão de poluentes, além da fumaça preta e da fuligem produzidas pelos veículos movidos a diesel.
O motorista carreteiro Salvador Vicente relatou que inicialmente tinha dúvidas sobre o desempenho do veículo, mas afirmou que não percebeu perda de potência.
“Falei: ‘Não pode ser esse mesmo rendimento como dizem’. Eu falei: ‘Só acredito vendo’. E realmente não perde nada, potência 100%, confiável.”
— Salvador Vicente, motorista carreteiro
Tecnologia também chega à coleta de lixo
O uso do biometano já foi ampliado para os caminhões responsáveis pela coleta de resíduos nas ruas do Rio. De acordo com o CTR Rio, 100 veículos da Comlurb que realizam a coleta domiciliar já utilizam o combustível.
O biometano pode abastecer veículos originalmente preparados para o GNV, desde que sejam realizadas as adaptações necessárias. O combustível também pode ser empregado em atividades industriais e comerciais.
“Tanto na indústria, como no comércio, ou como também nos carros movidos, hoje movidos a GNV, podem ser movidos também a biometano. Então é um combustível com larga utilização e que é ambientalmente correto.”
— Rafael Botelho Silveira, diretor operacional do CTR Rio
Como o lixo é transformado em combustível
O processo começa com a deposição e compactação dos resíduos no aterro, que posteriormente são cobertos com camadas de argila. A decomposição da matéria orgânica produz o biogás.
Tubulações instaladas no aterro captam esse gás e o conduzem até a unidade de tratamento. No local, o metano é separado dos demais componentes e transformado em biometano, que pode ser utilizado como combustível.
A estrutura de resíduos do CTR Rio já chega a 90 metros de altura após 15 anos de operação. A expectativa é de que a produção de biogás e, consequentemente, de biometano continue crescendo nos próximos anos.
“Essa operação ainda vai continuar por vários e longos anos e nossa produção de biogás e consequentemente de biometano também vai estar crescendo. Isso é muito importante para as indústrias, assim como para nós, nesse caminho da troca da frota movida a diesel por uma frota movida a biometano.”
— Rafael Botelho Silveira, diretor operacional do CTR Rio





