Empresa já investiu R$ 250 milhões em 2026 e prevê novos rebocadores, embarcações de apoio e equipamentos para operações marítimas
A Camorim está ampliando a atuação no setor de serviços marítimos diante do aumento da demanda nos mercados offshore e portuário. A empresa já investiu R$ 250 milhões em 2026 e mantém um ciclo de expansão da frota e da capacidade operacional.
Segundo o diretor estratégico da companhia, Plínio Salles, os investimentos incluem novos rebocadores azimutais, embarcações de apoio offshore e uma Super Cábrea, equipamento utilizado em operações de içamento de cargas.
O plano também considera oportunidades relacionadas à exploração da Margem Equatorial, que pode demandar embarcações com configurações específicas para as condições operacionais da região.
Camorim terá nove novos rebocadores azimutais
A empresa concluiu e colocou em operação cinco rebocadores azimutais de apoio portuário, entregues até o fim de 2025. No início de 2026, a Camorim assinou contrato para a construção de outras quatro unidades.
Com isso, a companhia terá nove embarcações no ciclo atual de investimentos. O primeiro rebocador da segunda série deve ficar pronto em meados de 2027, enquanto a última unidade tem entrega prevista para agosto ou setembro de 2028.
“São cinco rebocadores azimutais que já estão em operação nos portos. Essas cinco embarcações foram concluídas e entregues até o final do ano passado. Trata-se de um pedido inicial de cinco unidades e, no início de 2026, assinamos um contrato com o estaleiro para a construção de mais quatro. No total, somam-se nove embarcações”, explicou Plínio Salles.
Empresa investe em Super Cábrea e embarcações offshore
Além dos rebocadores, a Camorim assinou contrato para a construção de uma Super Cábrea. A empresa comprou na China um guindaste com capacidade para 750 toneladas, que está em processo de embarque, enquanto a balsa que receberá o equipamento é construída na Bahia.
O equipamento será utilizado em operações de içamento de cargas. A companhia também ampliou sua presença no segmento offshore com a aquisição, no México, da embarcação Susan, um Fast Supply Vessel (FSV) construído em alumínio e projetado para operar em alta velocidade.
A embarcação já está em operação no Brasil. A empresa também adquiriu o Ilha das Flechas, que apresenta características semelhantes, com menor capacidade e alta velocidade.
Embora o apoio portuário continue sendo o principal foco dos investimentos, a Camorim também avalia oportunidades no mercado offshore e em operações de movimentação de cargas destinadas a obras marítimas.
Demanda por embarcações offshore segue aquecida
No segmento offshore, a empresa identifica oportunidades para embarcações de maior porte, como os Platform Supply Vessels (PSVs), utilizados no apoio às operações de plataformas.
A Camorim mantém atualmente uma embarcação afretada no exterior, em operação para a Petrobras há mais de um ano, com contrato previsto por pelo menos quatro anos. A companhia também avalia a possibilidade de adquirir outra embarcação no mercado internacional.
Segundo Plínio Salles, a demanda atual por embarcações offshore permanece aquecida, enquanto as tarifas estão em um patamar considerado razoável pela empresa.
“O mercado offshore vive um bom momento, com demanda aquecida para as embarcações que estão no país e tarifas dentro de um patamar razoável. Não vemos no horizonte fatores que possam afetar essa demanda no curto prazo. Há trabalho e necessidade de novas embarcações — tanto que existem diversas construções em andamento por outras empresas —, e acreditamos que esse mercado continuará aquecido por alguns anos.”
Margem Equatorial exige avaliação das embarcações
A Camorim também acompanha os possíveis desdobramentos da exploração na Margem Equatorial. De acordo com o diretor estratégico, uma das questões em análise é a configuração das embarcações que poderão operar na região.
“Inicialmente, é possível que seja necessário deslocar embarcações já existentes no Brasil, mas estamos estudando as características específicas exigidas para o médio e longo prazo. O desafio é entender o padrão necessário caso venhamos a construir novas unidades voltadas para a Margem Equatorial, considerando as particularidades de correntes, condições de mar e distâncias operacionais da região.”
Formação de profissionais é desafio para o setor
Com o mercado aquecido, a disponibilidade de mão de obra qualificada tornou-se um dos desafios para a indústria de serviços marítimos. A Camorim aposta em cursos internos, em parceria com a Marinha, para formar profissionais destinados às próprias embarcações.
A estratégia inclui incentivar a progressão de carreira dentro da empresa. Segundo Salles, oficiais que atualmente comandam embarcações da companhia começaram na Camorim há vários anos e avançaram profissionalmente ao longo do tempo.
Recentemente, a empresa iniciou uma turma do curso de moço de máquinas, considerado o primeiro degrau da trajetória profissional na área. Cerca de 30 profissionais concluíram a formação e atualmente realizam estágio nas embarcações da empresa.
A intenção é aproveitar os profissionais formados e, posteriormente, abrir uma nova turma na área náutica para preparar tripulantes que poderão atuar nas embarcações de maior porte da companhia.





