A Câmara Municipal de Niterói encerrou o primeiro semestre de 2026 sob forte polarização entre vereadores da base do governo e da oposição. Ao longo dos seis primeiros meses do ano, discussões em plenário, pedidos de cassação, representações ao Ministério Público, debates sobre identidade de gênero, homenagens e carnaval dominaram parte das sessões legislativas, em um cenário que antecede as eleições de outubro.
Ao mesmo tempo, a produção legislativa apresentou leve retração em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho foram protocolados 290 projetos de lei, contra 306 registrados no primeiro semestre de 2025. Já o Executivo enviou 17 mensagens à Câmara neste ano, enquanto em igual período do ano anterior foram encaminhadas 20.
Carnaval e homenagem a Lula abriram sequência de debates
Os primeiros confrontos ocorreram em fevereiro, quando os vereadores Douglas Gomes e Daniel Marques Frederico, ambos do PL, protocolaram uma representação no Ministério Público Eleitoral questionando o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2026.
Os parlamentares alegaram que a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva faria referência à campanha eleitoral ao citar o nome do presidente e utilizar o tradicional refrão “Olê, olê, olê, olá, Lula”.
Sessão sobre título para Ludmilla gerou repercussão
Em março, a votação do projeto que concedeu o título de cidadã niteroiense à cantora Ludmilla provocou uma das sessões mais acaloradas do semestre.
A proposta, apresentada pela vereadora Benny Briolly (PT), foi aprovada por oito votos a seis, mas terminou em troca de acusações entre parlamentares. O caso ganhou repercussão nacional após a manifestação pública de apoio da artista à vereadora nas redes sociais.
No mesmo mês, a Câmara também rejeitou uma moção de repúdio apresentada pelo vereador Allan Lyra (PL) contra a Acadêmicos de Niterói, que acusava a escola de samba de promover intolerância religiosa durante o desfile deste ano.
Disputas políticas se intensificaram em maio
Em abril e maio, os embates passaram a refletir também as movimentações para as eleições.
A vereadora Benny Briolly respondeu às críticas sobre ausências em sessões plenárias, enquanto parlamentares da oposição intensificaram as cobranças relacionadas ao pedido de perda de mandato apresentado contra ela.
Outro episódio que movimentou a Casa foi a aprovação da Medalha José Clemente Pereira para a atriz Cássia Kis, proposta pela vereadora Fernanda Louback (PL). A homenagem reacendeu debates sobre pautas conservadoras e direitos da população trans.
Ainda em maio, Benny Briolly afirmou ter sido agredida durante uma manifestação sobre o uso de banheiros femininos por mulheres trans no Plaza Shopping. No mesmo período, a parlamentar foi notificada para apresentar justificativas por 33 faltas registradas em sessões plenárias e também passou a responder a um pedido para deixar a Comissão de Saúde, apresentado pelo vereador Fabiano Gonçalves (Republicanos).
Eleições devem influenciar o segundo semestre
Os episódios envolveram, em diferentes momentos, vereadores como Benny Briolly, Fernanda Louback, Allan Lyra, Douglas Gomes, Daniel Marques e Fabiano Gonçalves, muitos deles apontados como pré-candidatos às eleições de outubro.
A expectativa nos bastidores é que a disputa eleitoral reduza os confrontos internos da Câmara nos próximos meses, à medida que parte dos parlamentares concentre esforços nas campanhas para vagas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e na Câmara dos Deputados.
Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, a tendência é de um ambiente político menos conflituoso durante o segundo semestre devido ao calendário eleitoral e ao foco dos parlamentares nas campanhas.





