Segurança

MPRJ e Corregedoria prendem três policiais por extorsão em São Gonçalo

Agentes são acusados de usar uniformes, armas e viaturas oficiais para cobrar propina de empresas dos setores de sucata, reciclagem e resíduos.

Três policiais civis foram presos na manhã desta sexta-feira (4) durante uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Civil. Eles são acusados de integrar uma associação criminosa armada que utilizava a estrutura da corporação para exigir dinheiro de comerciantes de São Gonçalo.

Um quarto homem, que não é policial, também foi preso. A ação cumpriu ainda seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), os policiais realizavam as abordagens uniformizados, armados e utilizando viaturas oficiais. As ações eram apresentadas como fiscalizações, nas quais os agentes apontavam supostas irregularidades administrativas ou ambientais nos estabelecimentos.

De acordo com o MPRJ, a utilização da estrutura policial dava aparência de legalidade às abordagens e aumentava a pressão sobre os comerciantes para o pagamento das vantagens indevidas.

Os policiais presos foram identificados como Maurício Gomes da Silva, Rafael Ricardo Obesso e Rafael Sipriano Silveira. Também foi preso Luiz Cláudio Silva Medeiros, conhecido como Cacau.

Cobrança de R$ 300 mil

Uma das investidas ocorreu em 19 de agosto, contra a SOF Comércio e Reciclagem de Sucatas. Conforme a denúncia, os policiais teriam exigido cerca de R$ 300 mil para que a empresa não sofresse consequências relacionadas à suposta fiscalização.

Após a recusa dos responsáveis, o valor teria sido reduzido para R$ 100 mil, dividido em três parcelas, além de uma cobrança mensal de R$ 800.

A investigação não encontrou, segundo o MPRJ, ordem de serviço, registro de ocorrência ou outro documento que formalizasse a fiscalização realizada no estabelecimento.

Ainda no dia da abordagem, uma das vítimas transferiu R$ 25 mil para a conta de um dos denunciados. Conforme o Ministério Público, o policial seria responsável por dar suporte financeiro ao grupo e receber os valores cobrados dos comerciantes.

Outra empresa foi abordada

A segunda ocorrência investigada teve como alvo a Afermota Comércio e Distribuidora de Ferros. Segundo a denúncia, os policiais abordaram um caminhão da empresa e acompanharam as vítimas até o depósito.

No local, eles teriam se identificado como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e solicitado R$ 20 mil aos responsáveis pelo estabelecimento.

Após as vítimas afirmarem que não tinham o valor, a cobrança teria sido reduzida para R$ 15 mil. Nesse caso, nenhum pagamento foi realizado.

Batizada de Operação Anhangá, a ação faz referência a uma figura do folclore indígena brasileiro associada à proteção dos animais e das florestas. Para o MPRJ, o nome também representa a investigação contra agentes que teriam utilizado funções de proteção e fiscalização para obter vantagens indevidas.

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