
Chuva de meteoros Orionídeas terá pico nesta quarta-feira
A chuva de meteoros Orionídeas atinge seu pico de atividade nesta quarta-feira (21) e poderá ser observada em todo o território brasileiro. O fenômeno é provocado pela passagem da Terra por uma região do espaço com detritos deixados pelo cometa Halley.
Segundo a International Meteor Organization (IMO), a chuva pode alcançar uma taxa de 20 ou mais meteoros por hora em condições ideais de observação. Os fragmentos entram na atmosfera terrestre em alta velocidade e produzem rastros luminosos que podem ser vistos a olho nu.
De acordo com o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss, parceiro do Observatório Nacional, os meteoros das Orionídeas costumam ser rápidos e brilhantes. A velocidade pode chegar a 66 quilômetros por segundo, e alguns deixam trilhas luminosas no céu.
A previsão é de boas condições de observação em diferentes regiões do país, especialmente na segunda metade da madrugada, entre aproximadamente 1h40 e o amanhecer. Nesse período, a Lua já deverá ter se posto, deixando o céu mais escuro.
Em 2026, a Lua estará na fase crescente, com cerca de 77% do disco iluminado. A luz lunar pode dificultar a visualização dos meteoros enquanto estiver acima do horizonte.
O ponto do céu de onde os meteoros parecem surgir, chamado radiante, fica na direção da constelação de Órion, próximo à estrela Betelgeuse. No entanto, os rastros podem aparecer em diferentes partes do céu, e não apenas perto da constelação.
As Orionídeas acontecem quando a Terra atravessa partículas deixadas pelo cometa Halley em suas passagens pelo Sistema Solar. Ao entrar na atmosfera, esses fragmentos sofrem aquecimento e se desintegram, produzindo os clarões conhecidos como meteoros.
O cometa Halley retorna às proximidades da Terra a cada 75 ou 76 anos. Em 2026, o período de atividade das Orionídeas vai de 2 de outubro a 7 de novembro, com maior intensidade prevista para esta semana.
Essa é uma das duas chuvas de meteoros associadas ao cometa. A outra é a Eta Aquáridas, observada normalmente em maio.
Não é necessário utilizar telescópio ou binóculos para observar as Orionídeas. Algumas medidas, porém, podem aumentar as chances de enxergar os rastros luminosos:
- Escolha um local escuro, de preferência afastado das luzes das grandes cidades.
- Procure uma área com visão ampla do céu.
- No Hemisfério Sul, direcione o olhar para as regiões nordeste e norte, sem se limitar à constelação de Órion.
- Evite olhar diretamente para fontes de luz e dê tempo para os olhos se adaptarem à escuridão.
- Verifique as condições meteorológicas, já que nuvens podem prejudicar a observação.
Quem deseja registrar o fenômeno com uma câmera pode utilizar uma lente grande-angular, com abertura ampla, e fazer exposições de alguns segundos. O uso de tripé ajuda a manter a câmera estável durante os registros.
Para câmeras DSLR ou mirrorless, o Observatório Nacional recomenda lentes entre 14 mm e 24 mm, abertura entre f/1.4 e f/2.8, ISO de 1.600 a 3.200 e exposições de 10 a 15 segundos. Os ajustes podem variar conforme o equipamento e as condições do céu.
As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa regiões que contêm partículas deixadas por cometas ou asteroides. Ao entrar na atmosfera em alta velocidade, esses fragmentos produzem luz devido ao aquecimento e à ablação, processo em que o material é consumido durante a passagem atmosférica.
O estudo desses eventos ajuda os pesquisadores a compreender as características dos corpos que originam os detritos e aspectos da formação do Sistema Solar. As observações também contribuem para estimar a presença de partículas que podem representar riscos para equipamentos e veículos espaciais.
Registros de meteoros muito brilhantes, conhecidos como bólidos, podem ser enviados à rede colaborativa Exoss ou à plataforma IMO Fireball Report, com informações precisas sobre o horário da ocorrência.


