Segurança

Criminosos usam contas de terceiros para vender abuso infantil

Investigação mostra como redes criminosas usam TikTok para atrair compradores e Telegram para comercializar material de abuso sexual infantojuvenil.

Redes criminosas utilizam contas bancárias de terceiros para tentar dificultar a identificação de responsáveis pela comercialização de material de abuso sexual infantojuvenil na internet.

A prática foi identificada em uma investigação que acompanhou a atuação de criminosos no TikTok e no Telegram. Os perfis usam a primeira plataforma para atrair interessados e direcioná-los para canais de negociação no aplicativo de mensagens.

A Polícia Federal tem investigado crimes envolvendo armazenamento, compartilhamento e comercialização desse tipo de material. Em setembro, a corporação realizou operações contra a distribuição de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil em diferentes estados, inclusive no Rio de Janeiro.

Contas de terceiros deixam rastros

Em um dos casos acompanhados na investigação, um criminoso afirmou utilizar a conta bancária de outra pessoa para receber pagamentos. Segundo ele, a estratégia impediria o rastreamento das transações.

A afirmação, porém, não corresponde ao funcionamento das operações financeiras. Transferências por PIX deixam registros que podem ser utilizados pelas autoridades para identificar os envolvidos e reconstruir movimentações financeiras.

A Polícia Federal aponta que criminosos também podem utilizar contas de ex-companheiras ou até de vítimas para tentar ocultar a ligação entre os autores e os pagamentos.

A investigação também identificou o uso de bancos digitais e fintechs como parte das estratégias empregadas por redes criminosas para movimentar recursos.

Negociação migra para aplicativos de mensagens

O material é divulgado por meio de perfis e códigos utilizados em redes sociais para atrair interessados. A negociação ocorre posteriormente em aplicativos de mensagens.

Os criminosos oferecem diferentes volumes de arquivos e utilizam mecanismos para dificultar a permanência do conteúdo, incluindo o envio de vídeos que desaparecem depois da primeira visualização.

A Polícia Federal vem realizando ações para identificar pessoas envolvidas no armazenamento, compartilhamento e comercialização desse tipo de material. Em uma operação realizada no Rio de Janeiro em 23 de setembro, um homem foi preso em flagrante após uma investigação identificar sua participação em ambiente virtual utilizado para a difusão de conteúdo ilícito.

Plataformas afirmam remover conteúdo ilegal

O Telegram afirma manter política de tolerância zero para material de abuso sexual infantil e informa que utiliza denúncias, moderação e sistemas automatizados para identificar e remover conteúdos proibidos. A plataforma mantém uma base de hashes para detectar materiais já identificados como ilícitos.

O TikTok também afirma remover conteúdos relacionados ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes e banir contas envolvidas, além de encaminhar casos às autoridades e organizações responsáveis.

Apesar das medidas anunciadas pelas plataformas, investigações policiais continuam identificando redes que utilizam as redes sociais para divulgação e aplicativos de mensagens para negociação e distribuição.

Como denunciar

Casos de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Também é possível procurar delegacias de polícia, unidades especializadas, Ministério Público e conselhos tutelares. Profissionais de saúde devem realizar a notificação compulsória diante de suspeitas de violência contra crianças e adolescentes.

Botão Voltar ao topo