Economia

Desemprego cai para 5,2% e atinge menor nível em 14 anos

Taxa registrada no terceiro trimestre de 2026 é a menor para o período desde 2012, segundo o IBGE. País tem 103,6 milhões de pessoas ocupadas, enquanto construção civil registra crescimento de 2,8% no número de trabalhadores.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, alcançando o menor resultado para o período desde o início da série histórica, em 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

O índice ficou abaixo dos 5,4% registrados no segundo trimestre deste ano e dos 5,6% observados no mesmo período de 2025.

O país contabilizou 5,6 milhões de pessoas desocupadas entre julho e setembro. O número representa uma redução de 4% em relação ao trimestre anterior, com 234 mil pessoas a menos nessa condição. Na comparação anual, a queda foi de 6,9%, equivalente a 417 mil pessoas.

População ocupada chega a recorde de 103,6 milhões

O total de brasileiros ocupados alcançou 103,6 milhões, o maior contingente desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

Na comparação com o segundo trimestre de 2026, houve crescimento de 0,6%, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, a alta foi de 1,2%, o equivalente a mais 1,2 milhão de trabalhadores.

Entre os setores com crescimento na ocupação, a construção civil apresentou destaque. A atividade registrou aumento de 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas trabalhando no segmento.

Número de empregadores também bate recorde

A quantidade de empregadores chegou a 4,5 milhões, o maior resultado da série histórica. O grupo cresceu 4,3% em relação ao trimestre anterior, com acréscimo de 184 mil pessoas. Na comparação anual, a alta foi de 6,4%, equivalente a 272 mil empregadores.

O setor público também registrou recorde, com 13,2 milhões de trabalhadores. O número permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, mas avançou 2,5% na comparação com o mesmo período de 2025, com 317 mil pessoas a mais.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o aumento de trabalhadores na educação, especialmente professores da educação infantil, do ensino fundamental e médio, contribuiu para o resultado. A administração pública municipal também teve participação, com contratações em funções como escriturários, analistas de sistemas e recepcionistas.

Já o número de empregados com carteira assinada no setor privado, excluindo trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões, sem variação significativa no trimestre ou no ano.

Também permaneceram estáveis os contingentes de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, com 13,7 milhões; trabalhadores por conta própria, com 26,1 milhões; e empregados domésticos, com 5,4 milhões.

Subutilização da força de trabalho permanece estável

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13% no terceiro trimestre, praticamente estável em relação aos 12,9% do período anterior. Na comparação anual, houve redução de 0,9 ponto percentual.

A população subutilizada somou 14,8 milhões de pessoas, sem mudança significativa no trimestre. Em um ano, o contingente diminuiu 6,1%, o equivalente a 957 mil pessoas.

Esse grupo reúne pessoas desocupadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e aqueles que fazem parte da força de trabalho potencial, incluindo quem estava disponível, mas não procurou emprego, e quem procurou, mas não podia assumir uma vaga.

A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas chegou a 4,3 milhões. O número cresceu 5,2% no trimestre, com mais 214 mil pessoas, mas apresentou queda de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Número de desalentados cresce no trimestre

O contingente de pessoas que desistiram de procurar emprego, classificadas como desalentadas, chegou a 2,5 milhões no terceiro trimestre.

O resultado representa aumento de 7,5% em relação ao trimestre anterior, com mais 171 mil pessoas. Na comparação anual, porém, houve redução de 6,8%, equivalente a 178 mil pessoas.

A proporção de desalentados ficou em 2,2% da população, ante 2,1% no segundo trimestre e 2,4% no terceiro trimestre de 2025.

De acordo com William Kratochwill, a redução anual acompanha a melhora nas contratações observada nos últimos trimestres. O analista, no entanto, destacou o aumento recente e apontou dificuldades enfrentadas por pessoas com 40 anos ou mais para encontrar oportunidades de trabalho consideradas adequadas.

Rendimento médio chega a R$ 3.790

O rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.790 no terceiro trimestre, sem variação significativa em relação ao período anterior. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve crescimento de 3,6%, equivalente a R$ 131.

A massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos ganhos dos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões, o maior valor da série histórica. O resultado representa alta de 1,5% no trimestre, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões, e crescimento de 4,7% em um ano, equivalente a R$ 17,5 bilhões.

Próxima divulgação será em novembro

A PNAD Contínua é a principal pesquisa do IBGE para acompanhar o mercado de trabalho brasileiro. O levantamento visita trimestralmente 211 mil domicílios nos 26 estados e no Distrito Federal, com participação de cerca de dois mil entrevistadores.

Os dados referentes ao trimestre encerrado em outubro de 2026 serão divulgados em 27 de novembro.

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