Ex-secretária de Educação do RJ é alvo da Operação Escola de Papel
Polícia Civil e MPRJ investigam suspeitas de fraude em contratos de obras e serviços da rede estadual; ação cumpre mandados de busca e apreensão
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (1º) a Operação Escola de Papel, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ). Segundo os investigadores, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,6 bilhão.
Entre os alvos está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira. Também são investigados Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro dela; David de Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc; e Fabio Martins Pereira, apontado pelos investigadores como operador financeiro do suposto esquema.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão e não há, nesta etapa, ordens de prisão. As investigações apuram possíveis crimes de direcionamento de contratações públicas, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Investigação aponta contratos direcionados
Segundo a apuração, contratos da Secretaria de Educação teriam sido direcionados para a MCK Reformas e Construções Ltda., empresa que recebeu cerca de R$ 6 milhões em contratos. Desse montante, aproximadamente R$ 4 milhões teriam sido repassados a Fabio Martins Pereira, proprietário da Virtual Construtora Ltda.
Os investigadores também apontam que a MCK funcionava em um endereço residencial, não possuía empregados registrados e não apresentava estrutura considerada compatível com a execução de grandes obras, apesar de ter sido contratada para reformas em escolas estaduais.
A investigação cita ainda um saque de R$ 500 mil em espécie realizado em janeiro deste ano por Marcos José Mendes Ferreira, proprietário da MCK, em uma agência bancária de Duque de Caxias.
Segundo os investigadores, o dinheiro teria sido transportado em um veículo registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie. A apuração também aponta uma relação empresarial entre o policial militar que teria feito a escolta dos valores e o pai dos irmãos.
Ainda de acordo com a investigação, a MCK recebeu mais de R$ 11 milhões em recursos públicos somente em 2025, com parte significativa dos valores sendo retirada em dinheiro vivo.
Apuração começou após denúncias sobre obras
As investigações tiveram início após denúncias relacionadas ao uso do sistema descentralizado de pagamento da Secretaria Estadual de Educação.
Levantamentos divulgados em fevereiro apontaram que mais de R$ 1 bilhão havia sido movimentado pelo sistema em dois anos, sendo R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025. Também foram identificados possíveis vínculos entre empresas que participavam de concorrências para obras em escolas estaduais, incluindo compartilhamento de funcionários, serviços de contabilidade e consultorias.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) também abriu investigação para apurar possíveis irregularidades nas contratações e na utilização do sistema descentralizado para financiar reformas na rede estadual de ensino.
Seeduc afirma ter revisado contratos
Em manifestação sobre o caso, a Secretaria de Estado de Educação informou que vem revisando contratos e procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual.
A pasta afirmou ainda que estabeleceu limite de até R$ 130 mil para contratações destinadas a serviços de manutenção e pequenos reparos. Segundo a secretaria, intervenções acima desse valor passaram a ser classificadas como obras de maior porte e executadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).
A Seeduc também declarou que está colaborando com o MPRJ, TCE-RJ, Polícia Civil e demais órgãos responsáveis pela apuração.
Até a atualização das informações consultadas, não havia manifestação das defesas dos investigados sobre as acusações.





