Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, estava internado em estado grave desde sábado; caso é investigado pela Delegacia de Homicídios
A família de Danilo Jander Francisco Alves confirmou nesta terça-feira (15) a morte do pizzaiolo de 26 anos, baleado na cabeça durante uma abordagem de policiais militares em Niterói, no último sábado. O jovem estava internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca.
Segundo familiares, a equipe médica comunicou a morte por volta das 15h30, após a realização de exames para verificar a atividade cerebral.
“Estamos muito abalados e querendo justiça.” — William Souza Alves, tio de Danilo
A família também publicou uma homenagem ao jovem nas redes sociais.
“Nosso coração está em luto por essa perda tão dolorosa. Danilo era um jovem cheio de vida, alegria, sonhos e fazia a diferença por onde passava. Sua partida deixa um vazio enorme em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.”
Abordagem aconteceu em Icaraí
Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes do Niterói Presente faziam patrulhamento na região quando tentaram abordar Danilo, por volta das 18h. A corporação afirma que o motociclista teria desobedecido à ordem de parada.
A equipe era formada por dois policiais: um sargento do Batalhão de Choque, que efetuou o disparo, e um sargento do Batalhão Tático de Motocicletas (BTM). Os dois estavam em motocicletas paradas em um sinal na Rua Mariz e Barros, na esquina com a Avenida Roberto Silveira.
Durante a abordagem, um dos agentes disparou e atingiu Danilo na cabeça. O Corpo de Bombeiros foi acionado e levou o motociclista para o Hospital Estadual Azevedo Lima.
O policial responsável pelo disparo foi preso e encaminhado para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso.
Em depoimento, o sargento afirmou que os policiais teriam visto Danilo avançar o sinal vermelho, trafegar em alta velocidade e, em determinado momento, empinar a motocicleta. Ainda segundo o relato, os agentes acompanharam o motociclista até que ele precisou parar por causa do trânsito.
O policial também afirmou que Danilo levou uma das mãos em direção à cintura. Segundo ele, a arma foi sacada e o disparo ocorreu no momento em que desembarcava da motocicleta. O agente declarou que o tiro foi involuntário.
O outro policial ouvido no caso afirmou não ter conseguido ver se Danilo fez algum movimento em direção à cintura.
Testemunha apresenta versão diferente
Uma testemunha ouvida no caso apresentou uma versão diferente da relatada pelos policiais. Segundo ela, Danilo reduziu a velocidade até parar e os agentes cercaram a motocicleta.
Ainda de acordo com o relato, o jovem teria levantado as mãos. Um dos policiais teria utilizado spray de pimenta e, pouco depois, o outro efetuado o disparo.
A testemunha afirmou não ter percebido comportamento suspeito do motociclista antes da abordagem.
Após o tiro, os policiais fizeram uma revista em Danilo e, segundo o depoimento de um dos agentes, nenhum objeto ilícito foi encontrado com ele.
Os policiais também relataram que houve aglomeração de pessoas no local e aumento da tensão após o disparo. Segundo eles, o spray de pimenta foi utilizado para afastar os populares que se aproximavam.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Testemunhas já foram ouvidas, e imagens de câmeras de segurança são analisadas para esclarecer a dinâmica da abordagem e do disparo.
Família contesta versão do policial
Danilo morava no Gradim, em São Gonçalo, e trabalhava como pizzaiolo no restaurante Sushi Rão, na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. Segundo o pai, Jander Luiz de Souza Alves, o jovem estava a caminho do trabalho quando foi abordado.
O pai contesta a versão apresentada pelo policial sobre a condução da motocicleta e afirma que não acredita que o filho estivesse em alta velocidade ou empinando a moto.
“Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo. Espero que não coloquem meu filho como bandido, porque ele era trabalhador, assim como toda a nossa família, que tem muitas mulheres professoras e homens militares.” — Jander Luiz de Souza Alves, pai de Danilo
Jander também afirmou que a motocicleta estava regular e foi devolvida à família após a perícia. Segundo ele, Danilo usava capacete no momento do disparo e o equipamento ficou com a marca do tiro.
Na mochila do jovem, segundo o pai, havia uma garrafa de café e uma peça de roupa.
O tio Douglas William Souza Alves também questionou a dinâmica da abordagem e afirmou que a família soube do caso por um amigo de Danilo.
“Não consigo acreditar que ele tomou tiro de um policial.” — Douglas William Souza Alves, tio de Danilo






