Gestão do Maracanã critica investigação do MP sobre superlotação
CEO Fred Nantes classificou a apuração como “midiática” e afirmou que o estádio vai fornecer as informações solicitadas pelas autoridades
A investigação do Ministério Público sobre possíveis casos de superlotação em jogos de Flamengo e Fluminense no Maracanã provocou reação da administração do estádio. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (11), o CEO Fred Nantes criticou a condução da apuração, classificou o caso como “midiático” e afirmou que a gestão vai colaborar com as autoridades.
“Vamos responder, como já fizemos outras vezes, a todas as informações solicitadas, dentro do prazo e pelos canais oficiais, como sempre fizemos. Temos uma ótima colaboração com o Ministério Público e trabalhamos muito bem com eles, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações que forem solicitadas. Vejo isso muito mais como uma questão midiática do que qualquer outra coisa.” — Fred Nantes
Segundo a investigação do Ministério Público, foram identificadas vendas de ingressos acima da capacidade permitida em alguns setores do Maracanã desde o ano passado. A situação teria ocorrido principalmente no setor Norte, destinado à torcida do Flamengo, e nas cadeiras cativas.
Ao todo, 12 partidas do Flamengo e cinco do Fluminense foram analisadas.
Jogos do Flamengo
De acordo com o Ministério Público, todos os 12 jogos do Flamengo investigados tiveram venda de ingressos acima do limite permitido. Em metade deles, o público teria ultrapassado a capacidade total estabelecida para o estádio.
No setor Norte, por exemplo, houve partidas com público de 23.400 pessoas, enquanto o laudo da Polícia Militar previa capacidade de 21.300 espectadores para o local. A diferença chegou a 2.100 pessoas.
Em relação aos cinco jogos do Fluminense analisados, também foram identificadas vendas acima da carga permitida. Nenhuma das partidas, porém, teria ultrapassado a capacidade total do estádio ou o limite estabelecido para cada setor.
O setor Oeste inferior chegou a ser mantido fechado nesses jogos. Segundo a investigação, entretanto, as regras não permitem que um setor seja fechado para concentrar um número maior de torcedores em outra área.
Suspeita de irregularidades financeiras
A investigação também apura se parte dos ingressos adicionais não teria sido registrada corretamente nos borderôs das partidas.
As autoridades estimam que a diferença poderia representar um desvio de aproximadamente R$ 1 milhão por mês.
Outro ponto levantado pelo Ministério Público é a possibilidade de que as planilhas oficiais utilizadas na organização dos jogos indiquem uma capacidade inferior à ocupação real do estádio.
Para as autoridades, essa diferença pode comprometer o planejamento da segurança, inclusive com a possibilidade de utilização de um efetivo policial menor do que o necessário para o público efetivamente presente.





