Influenciador goiano é detido nos EUA após entrar pelo México
Matheus Fernandes Machado, conhecido como “Ugoianin”, tem quase 40 mil seguidores e ficou conhecido por vídeos de humor e conteúdos sobre o Vila Nova; ICE afirma que ele permanece sob custódia.
O influenciador goiano Matheus Fernandes Machado, de 28 anos, está sob custódia das autoridades de imigração dos Estados Unidos após tentar entrar no país pela fronteira com o México. Conhecido nas redes sociais como “Ugoianin”, ele mora em Goiânia e reúne quase 40 mil seguidores no Instagram, onde publica vídeos de humor e conteúdos relacionados ao Vila Nova. Informações recentes de veículos locais também confirmam a detenção e a identificação de Matheus como influenciador ligado ao clube.
Segundo o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), agentes da agência encontraram Matheus em 14 de setembro, depois que a Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos o prendeu por acusações de reentrada ilegal. Em nota, o órgão informou que ele entrou ilegalmente nos Estados Unidos em 5 de setembro de 2026, nas proximidades do Rio Grande, e permanece sob custódia enquanto aguarda a remoção.
Nas redes sociais, Matheus ficou conhecido principalmente por vídeos bem-humorados sobre futebol e pelo conteúdo relacionado ao Vila Nova, time pelo qual demonstra ser torcedor. Em julho, ele percorreu mais de 2 mil quilômetros de moto em três dias, saindo de Goiânia com destino a Maceió para acompanhar o confronto entre Vila Nova e CRB pela Série B do Campeonato Brasileiro.
A situação veio a público após a prima do influenciador, Ludmilla Machado, divulgar informações sobre o caso nas redes sociais.
A família relata dificuldades durante a detenção
Segundo Ludmilla, Matheus tentou entrar nos Estados Unidos em busca de melhores condições de vida. A prima afirmou que, durante a passagem pelo México, pessoas envolvidas na travessia teriam tentado afogá-lo em um rio e depois o entregado às autoridades de imigração. Esse relato sobre a travessia não foi confirmado oficialmente pelas autoridades.
Ludmilla disse ainda que mantém contato diário com o primo e que ele está abalado com a situação.
“Tem dia que ele chora, ele conversa comigo, e aí eu tento passar força pra ele. Não está sendo fácil pra mim, não está sendo fácil para ele. O desejo dele sempre foi de vir para cá tentar uma vida melhor, e infelizmente aconteceu tudo isso”, disse.
A familiar também afirmou que a família tenta entender quais medidas podem ser tomadas para auxiliar Matheus.
“A gente está desesperado, porque a gente não sabe o que é que faz. Eu quero que vocês me ajudem a ter força porque eu estou dando todo o suporte para ele aqui”, destacou.
Segundo Ludmilla, o influenciador também teria relatado dificuldades relacionadas à alimentação durante a detenção.
“Nessa cadeia, ele não está bem, porque ele está passando necessidade de comida. No telefone, eu consegui colocar crédito. A comida para ele tem que esperar, porque faz a compra e espera uma semana para chegar a comida”, ressaltou.
Família teme deportação
A possibilidade de deportação também preocupa os familiares. Ludmilla afirmou que ainda não sabe para qual país Matheus poderá ser enviado caso deixe os Estados Unidos.
“Eu estou muito preocupada com a questão da deportação do Matheus. Eles estão deportando para outros países, então a gente nem sabe o que é que pode acontecer e se eles vão enviar para o Brasil”, detalhou.
Em outro relato, a prima reproduziu uma fala atribuída ao influenciador durante uma ligação.
“Ele falou pra mim, falou: ‘Prima, isso aqui é o inferno. Eu não tô aguentando isso aqui, pelo amor de Deus!’ Esses dias ele me ligou, tava chorando tanto. Eu chorando de um lado e ele chorando do outro”, relatou.
Assistência consular
O Gabinete de Assuntos Internacionais, da Secretaria-Geral de Governo do Estado de Goiás, informou que não foi formalmente procurado por familiares de Matheus em busca de auxílio.
O Itamaraty, por sua vez, afirmou que permanece à disposição para prestar a assistência consular cabível, quando solicitado.
O ICE informou que Matheus permanece sob custódia enquanto aguarda a remoção. A agência também afirmou, em sua nota, que a política migratória da administração do presidente Donald Trump inclui ações de identificação, prisão e remoção de imigrantes que estejam ilegalmente nos Estados Unidos.
A nota do órgão também menciona o aplicativo CBP Home e uma oferta de US$ 3 mil e passagem gratuita para pessoas em situação migratória irregular que optem pela chamada autodeportação.





