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Operação investiga PMs suspeitos de colaborar com o Comando Vermelho

Polícia Civil cumpre sete mandados de prisão no Rio, em Niterói, São João de Meriti e Maricá. Investigação começou após apreensão de mais de 100 quilos de cocaína em 2023; um dos policiais investigados foi assassinado em julho deste ano.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta terça-feira (13), uma operação para investigar um esquema de tráfico de drogas e armas que teria a participação de policiais militares e integrantes do Comando Vermelho (CV).

Segundo as investigações, os agentes são suspeitos de repassar informações sigilosas sobre operações policiais a criminosos e de participar de negociações ilegais de armas, munições e acessórios destinados à facção.

A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar.

Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão pela 16ª Vara Criminal da Capital. As diligências ocorrem em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Niterói, na Região Metropolitana, e Maricá.

Até a última atualização das informações, dois homens haviam sido presos. Um deles é Leonardo Aguiar, conhecido como “da Nike”, apontado como integrante do braço armado do Comando Vermelho.

Investigação começou após apreensão de cocaína

As apurações tiveram início em outubro de 2023, quando policiais civis prenderam em flagrante o então policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko. Na ocasião, os dois transportavam mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.

A partir da apreensão, os investigadores identificaram indícios de que a dupla fazia parte de uma organização envolvida na compra, no transporte e na distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos para o Comando Vermelho.

De acordo com a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, o grupo atuava com divisão de tarefas para abastecer comunidades dominadas pela facção.

Kiko é apontado como um dos responsáveis pela logística do tráfico e por manter contato com lideranças criminosas para organizar o transporte e a entrega de entorpecentes.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e análises de dados telemáticos também identificaram conversas entre Kiko e Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

Segundo a investigação, Paulista participava da articulação para a compra e a distribuição de drogas e armas, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da organização criminosa.

Policiais são suspeitos de fornecer informações à facção

Uma das linhas da investigação apura a participação de policiais militares no esquema. Conforme a Polícia Civil, agentes teriam utilizado informações obtidas no exercício da função para favorecer integrantes do Comando Vermelho.

Entre os investigados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios. Até a última atualização, ele não havia sido localizado.

Outro nome citado é Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, apontado como liderança do tráfico em diversas comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

De acordo com os investigadores, Hot Wheels recebia informações privilegiadas sobre operações policiais repassadas pelo PM Yuri Desiderati. O militar é suspeito de usar sua posição na corporação para beneficiar as atividades criminosas.

A DRE também aponta que os investigados atuavam na segurança de lideranças do tráfico e na vigilância de territórios controlados pela facção, com o uso de armas de fogo para manter o domínio dessas áreas.

PM que deu origem à investigação foi morto a tiros

Yuri Luiz Desiderati Ribeiro foi assassinado em 12 de julho deste ano, quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Ele foi atingido por diversos disparos.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Uma das suspeitas é de que o policial tenha sido executado pelo Comando Vermelho.

Yuri havia sido preso em flagrante em 2023, quando transportava mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil. A ocorrência deu origem às investigações que resultaram na operação desta terça-feira.

Mesmo após a morte do policial, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes continuou as apurações e identificou outros suspeitos de integrar a rede de distribuição de drogas e armas.

A Polícia Civil busca atingir não apenas os responsáveis pelo transporte e pela comercialização dos materiais ilícitos, mas também a estrutura que daria suporte ao abastecimento do Comando Vermelho, incluindo a possível participação de agentes públicos.

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