
MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à produção de entorpecentes e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado nas alegações finais da acusação, etapa que antecede a sentença judicial.
Segundo o processo, Cariani é suspeito de participar de um esquema de desvio de produtos químicos utilizados na fabricação de drogas, especialmente cocaína e crack. Ele responde à ação penal em liberdade.
A promotoria também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Caso a Justiça acolha integralmente as acusações, a pena individual pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas, conforme cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida.
Como funcionaria o esquema investigado
Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. A investigação apura o suposto desvio de insumos químicos comercializados pela Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual ele é sócio, sediada em Diadema, na Grande São Paulo.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa teria fraudado registros de vendas de produtos químicos destinados a empresas farmacêuticas. O material seria desviado para o refino de cocaína.
As investigações começaram em 2019, depois que a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que não reconhecia movimentações de produtos químicos registradas em notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa teria simulado, em 59 ocasiões, vendas de produtos para companhias que não haviam feito os pedidos. A acusação sustenta que pedidos fictícios teriam sido utilizados para justificar as operações.
Em um dos episódios descritos pelos promotores, Cariani teria autorizado, em 26 de fevereiro de 2018, a retirada de produtos faturados em nome da AstraZeneca fora do horário de expediente. A relação mencionada na denúncia inclui 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína.
A acusação também afirma que documentos apresentados à Polícia Federal continham placas, documentos e habilitações falsos. Os promotores ainda apontam uma suposta tentativa de interferir na fiscalização dos produtos químicos.
Papel atribuído aos outros investigados
Fábio Spindola Mota é apontado pela acusação como responsável pela venda e intermediação do fornecimento dos produtos químicos. Segundo as investigações, ele seria o elo entre a empresa e compradores ligados ao tráfico de drogas, além de negociar e direcionar a entrega das substâncias.
A investigação também aponta que Fábio teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca para viabilizar negociações com a Anidrol. Ele também teria realizado depósitos em dinheiro na conta da empresa relacionados a operações sob responsabilidade da farmacêutica.
Já Rodrigo Gomes Pereira é acusado de participar da movimentação de recursos de origem ilícita. Conforme o documento do Ministério Público, ele teria realizado depósitos em espécie e operações destinadas a dar aparência legal ao dinheiro.
Acusação cita conversas com policial civil
O Gaeco afirma que mensagens extraídas do celular de Cariani indicariam uma relação próxima com o policial civil Anadré Dziuba, ligado à fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas.
Segundo os promotores, o influenciador recebia informações sobre diligências, comentava situações investigadas e sugeria empresas que poderiam ser fiscalizadas. Para a acusação, essas conversas indicariam uma tentativa de proteger o grupo investigado e prejudicar possíveis concorrentes comerciais.
A promotoria também cita uma conversa de 11 de abril de 2019, na qual Cariani teria afirmado que determinada substância era utilizada para aumentar o rendimento da cocaína. Os promotores sustentam que as mensagens demonstrariam conhecimento sobre o possível uso dos insumos na produção de drogas.
Pena pode chegar a 51 anos e 8 meses
O cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida considera uma possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos destinados à fabricação de drogas e 59 crimes de lavagem de dinheiro.
A estimativa também leva em conta o aumento de pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O resultado depende do enquadramento jurídico adotado pela Justiça e do reconhecimento de que as infrações foram cometidas em sequência.
Almeida ressalta que, embora a soma das penas aplicadas possa ultrapassar esse período, o limite de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.
Além de pedir a condenação de Cariani, Fábio e Rodrigo, o Gaeco solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, também citadas durante as investigações.
O que diz a defesa de Renato Cariani
O advogado Aldo Romani Netto, que representa o influenciador, afirmou que o pedido de condenação não causou surpresa à defesa. Segundo ele, o processo entrou na fase de apresentação das alegações finais defensivas.
Em nota, o advogado declarou que pretende responder aos argumentos do Ministério Público e demonstrar, com base nas provas produzidas durante a instrução, que as acusações são improcedentes.
A defesa também afirmou confiar que o Judiciário fará uma análise imparcial das provas e declarou ter convicção de que Cariani será absolvido.
Até a publicação do material original, não havia manifestação das defesas de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.





