MPRJ denuncia 11 por esquema de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro em um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM).
Nesta quinta-feira (9), o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ) cumpriu seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis.
Esquema teria movimentado R$ 86 milhões
Segundo a denúncia, os investigados utilizaram contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 86,28 milhões.
De acordo com o MPRJ, empresas contratadas pelo IRM transferiam parte dos valores para o Instituto BIO, apontado como uma entidade sem estrutura operacional. O dinheiro era posteriormente sacado em espécie, dificultando o rastreamento dos recursos.
“O esquema utilizava contratos públicos, empresas privadas e uma entidade de fachada para desviar recursos e lavar dinheiro, segundo o Ministério Público.”
Seis agentes públicos são alvo de prisão
Entre os presos está Davi Perini Vermelho, o “Didê”, presidente do Instituto Rio Metrópole e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti, apontado como líder do núcleo de servidores investigados.
Também foram alvos de mandados de prisão:
- Franquis Dias Nepomuceno;
- Marcelo Lopes da Silva;
- Caroline Soares Barros;
- Amanda Íthala Santos da Paschoa;
- Maurício Silva Knoploch dos Santos, considerado foragido.
Outros cinco denunciados responderão ao processo com medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.
Investigação começou após apreensão de dinheiro
As investigações tiveram início em janeiro deste ano, quando Caroline Soares Barros foi flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis.
A análise do material apreendido identificou dezenas de transferências financeiras entre empresas contratadas pelo IRM e o Instituto BIO, totalizando mais de R$ 3,2 milhões.
Segundo o Ministério Público, a entidade não possuía funcionários registrados, capital social e estrutura compatível com os contratos firmados.
Justiça determina bloqueio de bens
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos denunciados e das empresas envolvidas até o limite de R$ 86,28 milhões.
O MPRJ também pediu a condenação solidária ao pagamento de R$ 200 milhões por danos morais coletivos, o afastamento dos agentes públicos dos cargos e a suspensão dos contratos investigados para evitar novos prejuízos ao erário.
“A Justiça também determinou o afastamento dos denunciados de suas funções públicas e autorizou o bloqueio de bens para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.”





