Segurança

Mulher suspeita de integrar rede de exploração sexual infantil é presa no Rio

Uma mulher de 42 anos suspeita de participar de uma rede de exploração sexual infantil foi presa pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Mariana de Oliveira Minas foi localizada na quarta-feira em um abrigo em Itaboraí, na Região Metropolitana, por agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

De acordo com as investigações, ela é a quarta pessoa detida no âmbito do caso, que apura suspeitas de estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição de crianças e adolescentes e produção de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. A polícia aponta que o grupo tinha como alvos meninas de comunidades como Cidade de Deus e Bateau Mouche, na Zona Sudoeste, além do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio.

A prisão integra a segunda fase de uma operação destinada a investigar o aliciamento e a exploração sexual de menores de idade.

Segundo a delegada Maria Luíza Machado, titular da DCAV, Mariana faria parte de um núcleo no qual mães seriam responsáveis por explorar sexualmente as próprias filhas, submetendo-as à prostituição ou negociando vantagens em troca. Conforme a investigação, entre as vítimas haveria crianças com poucos meses de vida.

A polícia afirma que Mariana e Ariane de Oliveira atuavam no recrutamento e na apresentação das vítimas aos suspeitos de abuso sexual.

Em março, os investigadores prenderam o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado como cliente do esquema. Ele responde a um processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio, e está preso preventivamente.

De acordo com a apuração policial, Cordovil seria responsável pela exploração sexual, pela produção de conteúdo pornográfico envolvendo menores e pelos pagamentos às vítimas ou a seus responsáveis. Ele teria atraído crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social com ofertas de dinheiro, festas e celulares.

No sábado anterior à prisão de Mariana, Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi detido na Gávea, na Zona Sul do Rio. Ele é apontado pela polícia como um dos líderes da rede. No mesmo dia, Ariane de Oliveira foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Para os dois, foram cumpridos mandados de prisão temporária.

Segundo a investigação, Luiz Alberto também participaria do aliciamento e dos abusos sexuais. A polícia informou que ele possui antecedentes relacionados a crimes patrimoniais.

Mariana, por sua vez, tem registros anteriores por abandono de incapaz e pelo homicídio a facadas do ex-marido, ocorrido em 2012, conforme as informações divulgadas sobre o caso.

A análise de um celular de Cordovil, após autorização para quebra de sigilo, levou os investigadores a conversas que, segundo a polícia, indicariam a atuação dos integrantes no aliciamento de menores.

Em mensagens de novembro de 2022, Mariana teria enviado fotografias de duas meninas, de 14 e 15 anos, apontadas como possíveis vítimas futuras.

A delegada afirmou que a investigação começou a partir da apuração envolvendo Cordovil e avançou para identificar os demais suspeitos. Na etapa mais recente, os policiais apreenderam os celulares de Luiz Alberto e Ariane. Mariana não estava com telefone no momento em que foi localizada.

Os quatro investigados respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição, associação criminosa e corrupção de menores. Cordovil também é investigado por produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. No caso de Luiz Alberto, há ainda acusação relacionada ao armazenamento desse material.

As defesas dos presos foram procuradas para se manifestar sobre o caso.

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