Brasileiro sobrevive 11 dias à deriva dentro de freezer no Atlântico
Romualdo Rodrigues saiu de Oiapoque para pescar por três dias, mas barco naufragou; após ser resgatado, ele ainda ficou 16 dias detido no Suriname.
Uma pescaria que deveria durar três dias terminou com 11 dias à deriva no Oceano Atlântico para o pescador Romualdo Macedo Rodrigues. Depois que o barco em que estava naufragou, ele conseguiu se manter na superfície dentro de um freezer, já que não sabia nadar.
Romualdo havia saído do porto de Oiapoque, no Amapá, para pescar. Durante a viagem, percebeu rachaduras na embarcação e começou a retirar a água que entrava. No dia seguinte, porém, concluiu que não seria mais possível evitar o naufrágio.
“Comecei a secar, mas no outro dia não tinha mais jeito e foi para o fundo mesmo.”
— Romualdo Macedo Rodrigues
Com o barco afundando, o pescador procurou algum objeto que pudesse ajudá-lo a permanecer na superfície. O freezer era o que estava mais próximo. Depois de verificar que o equipamento conseguia boiar, ele entrou no eletrodoméstico e passou a depender dele para sobreviver.
“Quando eu vi que não tinha jeito, eu peguei o freezer e fui embora.”
— Romualdo Macedo Rodrigues
O freezer, no entanto, não impedia completamente a entrada de água. Romualdo contou que precisou retirar a água com as próprias mãos enquanto permanecia à deriva.
Sem comida e água, ele passou 11 dias sozinho no mar. A deriva chegou a aproximadamente 400 quilômetros da costa, em águas próximas ao Suriname.
Durante o período, o pescador também relatou medo de ser atacado por tubarões. A sede foi apontada por ele como o maior sofrimento durante os dias no oceano.
Romualdo acredita ter perdido cerca de 5 quilos durante a experiência. Quando foi encontrado, relatou que sua visão já começava a falhar.
Resgate aconteceu após 11 dias
O resgate ocorreu em 11 de agosto, quando um grupo de pescadores avistou o freezer flutuando e decidiu se aproximar.
Inicialmente, eles acreditavam que o objeto estava vazio. Romualdo ouviu a embarcação e, ao perceber a aproximação, levantou os braços e pediu socorro.
Após ser retirado do mar, ele foi levado para o Suriname, onde recebeu os primeiros atendimentos médicos. A exposição ao sol, à água salgada e a falta de alimentação e hidratação haviam debilitado o pescador.
Segundo o delegado Luís Carlos Porto, da Polícia Federal, Romualdo estava bastante magro e debilitado quando ainda permanecia detido, mas apresentava boa consciência. As feridas provocadas pela exposição ao sol já estavam melhorando.
O próprio pescador relacionou os problemas de visão à combinação de calor, sal e luminosidade durante o período em alto-mar. Segundo o delegado, apesar das dificuldades enfrentadas, Romualdo aparentava tranquilidade e boa condição geral de saúde.
Após o resgate, pescador ficou 16 dias detido
A volta ao Brasil não aconteceu imediatamente. Como Romualdo não possuía documentação para permanecer no Suriname e não tinha passaporte, ele foi detido pelas autoridades do país.
O pescador passou 16 dias em uma cela em Paramaribo, capital do Suriname. Segundo seu relato, não recebeu explicações claras sobre o motivo da detenção e questionava por que precisava continuar preso.
Durante esse período, as visitas eram restritas às autoridades brasileiras. O delegado Luís Carlos Porto acompanhou a situação após o processo de extradição.
Para retornar ao Brasil, Romualdo precisou utilizar uma documentação especial. O voo teve como destino Belém, no Pará.
Depois de 11 dias à deriva e outros 16 dias detido no Suriname, o pescador classificou o retorno ao Brasil como “o dia mais importante” de sua vida. Ele afirmou que havia “nascido de novo” e chamou o freezer utilizado durante a deriva de um milagre.





