Rio inicia obras de revitalização da Feira de São Cristóvão
Intervenções no Centro Luiz Gonzaga terão investimento de R$ 10,7 milhões e incluem recuperação estrutural, acessibilidade e melhorias nas redes de esgoto e drenagem
Começaram nesta terça-feira (29) as obras de revitalização do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. O projeto prevê melhorias na estrutura do espaço e tem investimento de R$ 10,7 milhões.
O prefeito Eduardo Cavaliere acompanhou o início das intervenções, que serão executadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura a partir de projeto desenvolvido pela Empresa Municipal de Urbanização (Rio-Urbe).
Entre os serviços previstos estão a recuperação de paredes e lajes do pavilhão, impermeabilização, pintura e instalação de um sistema de para-raios. A fachada e o letreiro também serão restaurados.
Obras incluem acessibilidade e melhorias na infraestrutura
O projeto prevê ainda a reforma dos banheiros, com adequações de acessibilidade, e do espaço administrativo. Também serão realizadas intervenções nas redes de esgoto e no depósito de lixo, com medidas voltadas à gestão de resíduos sólidos.
“É o início de uma grande revitalização nesse espaço importante para o desenvolvimento econômico, e que gera cultura e riqueza para a cidade. Vamos começar fazendo uma recuperação estrutural no entorno dessa estrutura antiga. Vamos fazer a recuperação dos sanitários, da questão de acessibilidade, da rede de esgoto e drenagem”, explicou o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos.
Durante o início das obras, Cavaliere afirmou que a revitalização também deve envolver mudanças na gestão do espaço.
“Hoje é o primeiro passo, é a pedra fundamental. Mas, ao longo da construção dessa nova Feira de São Cristóvão, a mudança mais profunda não vai ser feita de concreto e nem de aço. Vai ser feita na governança. A Prefeitura do Rio vai entregar, nas mãos de cada um dos comerciantes, artistas, feirantes, o poder sobre as suas próprias vidas, que é o que eles mais desejam aqui”, afirmou.
O prefeito também citou o documentário “O Levante”, do cineasta pernambucano Jonathas de Andrade, ao falar sobre a transformação planejada para a feira.
“Nós vamos liderar um levante na Feira de São Cristóvão, um despertar. Aos poucos, a gente vai abrindo os corredores, tirando aquilo que deve ficar no passado e abrindo as portas para futuro da Feira de São Cristóvão.”
Espaço é referência da cultura nordestina no Rio
Tombado por sua importância histórica, turística e cultural, o Pavilhão de São Cristóvão ocupa uma área de mais de 31 mil metros quadrados. O espaço se consolidou como referência da cultura nordestina na cidade e recebe visitantes durante todo o ano.
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, destacou a diversidade cultural presente no local.
“Hoje é o dia de início de obras que celebram a tradição, a memória e futuro desse lugar importante onde pulsa tanta cultura, que celebra o nordeste plural, os vários estados, os vários gêneros musicais, gastronomia, teatro, karaokê, um lugar onde tudo acontece.”
Para o gestor da Feira de São Cristóvão, Pedro Porto, a revitalização também pode ampliar o papel do espaço na economia da cidade.
“A Feira de São Cristóvão, um projeto que nasceu orgânico, autônomo, do povo do nordestino, é celebrada nesses 81 anos com a reconfiguração e o resgate desse equipamento. Esse lugar tem um potencial enorme de ser um espaço de economia criativa, um espaço para a comunidade nordestina matar a saudade de casa. O cuidado da Feira de São Cristóvão impacta diretamente em mobilidade urbana, segurança pública, cultura e cidadania, para o bairro de São Cristóvão e para a cidade do Rio de Janeiro”, disse Porto.
Pavilhão de São Cristóvão foi inaugurado em 1962
Projetado pelo arquiteto Sergio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira. O espaço foi inaugurado em 1962 para receber a Exposição Internacional de Indústria e Comércio durante o governo de Juscelino Kubitschek.
A feira nordestina passou a ocupar o pavilhão em 2003. Antes disso, a atividade funcionava na área externa, no estacionamento ao redor do Campo de São Cristóvão.
A comerciante Elisabeth Oliveira, proprietária da barraca Xique-xique e viúva de Agamenom de Almeida, líder histórico dos barraqueiros, comemorou o início da reforma.
“É lindo estar vivendo isso aqui hoje. A união é tudo. A estrutura hoje está muito danificada e a obra vai melhorar para todo mundo. Todos os feirantes e todo o público vão ganhar com a melhoria. A Feira é um patrimônio cultural e quero agradecer à Prefeitura do Rio de Janeiro que abraçou, nos acolheu e ajudou. Além de agradecer às pessoas do passado que trabalharam muito e foram incansáveis.”





