CotidianoNova Friburgo

Pico da Caledônia deve ser reaberto após 20 de setembro

Fechado desde um incêndio que consumiu 66 hectares, ponto turístico de Nova Friburgo tem reabertura prevista com novas regras de visitação

O Pico da Caledônia, um dos principais pontos turísticos de Nova Friburgo, deverá permanecer fechado até depois de 20 de setembro. A previsão foi apresentada nesta semana durante a 4ª reunião ordinária do Conselho Consultivo do Parque Estadual dos Três Picos (PETP).

Localizado a 2.257 metros de altitude, o pico está fechado há cerca de um mês, após um incêndio que atingiu a região e durou cinco dias. As chamas consumiram aproximadamente 66 hectares de vegetação e exigiram o uso de aeronaves no combate ao fogo.

Segundo as informações apresentadas na reunião, o responsável pela área onde o incêndio começou deverá ser autuado e poderá responder nas esferas administrativa e criminal.

O encontro do Conselho Consultivo contou com representantes da Associação dos Gestores Ambientais de Nova Friburgo (Ageanf), que participaram das discussões sobre gestão, conservação e fiscalização do parque.

Turismo sente os efeitos do fechamento

A suspensão da visitação já provoca impactos no setor turístico de Nova Friburgo e de municípios da região. Empresários do setor hoteleiro relatam cancelamentos e desistências de reservas em hotéis e pousadas.

Alguns estabelecimentos estimam uma redução média de até 40% nas reservas nas últimas semanas. Guias turísticos que organizam grupos para trilhas e passeios na região também relatam prejuízos.

O Pico da Caledônia costuma atrair visitantes interessados em trilhas, montanhismo e contemplação da paisagem serrana. Nesta época do ano, as baixas temperaturas também são um atrativo, já que podem provocar a formação de gelo no local.

“Muitos grupos de turistas que pretendiam organizar passeios para subir o Pico da Caledônia, desistem da investida quando sabem que o ponto turístico está fechado. Nem todos buscam outras alternativas de visitação em Nova Friburgo e isso prejudica o turismo. É ruim para a cidade como um todo”, aponta um guia turístico.

O fechamento também afeta atividades ligadas à hospedagem, alimentação, transporte, guiamento e outros serviços relacionados ao turismo de natureza.

Novas regras estão em estudo

Para a possível reabertura, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) estuda mudanças no sistema de visitação. Entre as propostas está a adoção de agendamento individual, controle de veículos e limite de 240 visitantes por dia.

Outra possibilidade é antecipar o primeiro horário de entrada, atualmente às 7h, para as 5h. A mudança permitiria que os visitantes chegassem mais cedo para acompanhar o nascer do sol.

A alteração, porém, depende da disponibilidade de guarda-parques e das regras trabalhistas aplicáveis às equipes responsáveis pela fiscalização e pelo controle de acesso.

Antenas e estrutura de apoio

A situação das antenas instaladas na região também foi discutida. Ainda não há prazo definido para a retirada das estruturas da Petrobras.

Uma das alternativas avaliadas é manter apenas uma antena e retirar as demais, dependendo de análise técnica e da definição dos custos de manutenção.

O Inea informou ainda que pretende destinar recursos para instalar uma estrutura de apoio para guarda-parques e visitantes. Também está prevista a implantação de uma porteira para restringir o acesso durante o período noturno.

Fiscalização deve ser ampliada

A reunião também abordou a necessidade de reforçar a fiscalização no Parque Estadual dos Três Picos e em seu entorno. Entre os problemas apontados estão caça, desmatamento e construções irregulares.

A expectativa do setor turístico é que a reabertura do Pico da Caledônia contribua para recuperar parte do movimento perdido durante o período de fechamento. A definição das regras de acesso, a estrutura disponível e a segurança dos visitantes serão consideradas na retomada da visitação.

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