Polícia Civil deflagra operação contra esquema de veículos clonados
Operação Sinal Oculto cumpre mandados no Rio, Niterói e São Gonçalo e investiga roubo, adulteração e venda de automóveis.
A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (27/8), a Operação Sinal Oculto contra uma organização criminosa especializada em roubo, adulteração de sinais identificadores e comercialização de veículos. A ação é coordenada por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP).
Os policiais cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes pontos da Zona Oeste e da Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, além de endereços em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana. Até o momento, um criminoso foi capturado.
A operação conta com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC) e do Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB).
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, a organização criminosa era dividida em diferentes etapas, desde a seleção dos veículos até a adulteração, comercialização e movimentação dos valores obtidos com o esquema.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava sob demanda. Os criminosos pesquisavam na internet veículos regulares anunciados para venda e utilizavam as informações desses automóveis como referência para criar uma espécie de matriz de clonagem.
A partir desses dados, eram escolhidos veículos com características semelhantes, obtidos de forma ilícita e posteriormente submetidos à adulteração dos sinais identificadores. O objetivo era reproduzir as informações do automóvel utilizado como modelo.
Depois da adulteração, os veículos eram anunciados em perfis de redes sociais e outras plataformas digitais. Em alguns casos, os automóveis eram oferecidos por valores abaixo dos praticados normalmente no mercado.
Estrutura armada e financeira
A investigação também identificou uma estrutura armada que, segundo os policiais, oferecia proteção e suporte logístico às atividades do grupo.
Foram reunidas provas sobre a atuação de nove criminosos armados. Os investigadores também encontraram referências ao uso de bloqueadores de sinal, equipamentos que podem ser empregados para dificultar o rastreamento de veículos roubados.
O grupo contava ainda com uma estrutura financeira própria. Pessoas utilizadas como “laranjas” recebiam e pulverizavam os valores obtidos com a venda dos veículos, inclusive por meio de transferências via PIX.
Ao todo, foram identificados sete beneficiários financeiros relacionados à movimentação considerada ilícita pela investigação.
Atuação entre facções
As apurações apontaram ainda para alianças de caráter operacional entre integrantes das facções Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV).
Segundo os investigadores, a articulação estaria relacionada ao apoio logístico e territorial entre integrantes dos grupos criminosos.
Em Realengo, na Zona Oeste, a investigação identificou atuação coordenada entre integrantes da ADA e criminosos ligados ao CV, com utilização de áreas sob influência da facção para dar suporte à circulação e às atividades criminosas.
Na Favela da Light, também em Realengo, foram identificados elementos de coordenação com a estrutura do Jardim Novo, em uma dinâmica relacionada ao apoio e à expansão territorial do CV na região.
Mandados em diferentes regiões
Os mandados são cumpridos em diferentes localidades de Realengo, incluindo Cosme e Damião, Periquito, Ideal, Cohab, Carumbé, Favela da Light, Canecão, Barata, Batan e Fumacê.
A operação também alcança endereços em Bangu, Praça Seca, Pechincha, Tanque e Vargem Pequena, além de pontos nos municípios de Niterói e São Gonçalo.
A ação busca atingir simultaneamente os núcleos operacional, financeiro e digital da organização criminosa, além de localizar locais utilizados para a adulteração dos sinais identificadores dos veículos.





