Polícia Civil mira monopólio de internet ligado ao TCP no Rio
Operação Sinal Livre cumpre oito mandados na Ilha do Governador e investiga exploração clandestina de internet em comunidade.
A Polícia Civil realiza nesta terça-feira (01/09) uma operação contra um esquema de exploração clandestina de internet na Comunidade Boogie Woogie, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. A Operação Sinal Livre é conduzida por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), que investigam a atuação de provedores supostamente associados ao Terceiro Comando Puro (TCP).
Ao todo, os policiais têm como objetivo cumprir oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Segundo as apurações, integrantes da facção teriam imposto um monopólio sobre o fornecimento de internet na comunidade, dificultando a atuação de empresas regularmente autorizadas.
De acordo com a investigação, técnicos de grandes operadoras de telecomunicações eram ameaçados e impedidos de entrar na região para instalar, reparar ou fazer a manutenção das redes. Paralelamente, cabos eram cortados e equipamentos e estruturas das concessionárias eram danificados.
A DDSD identificou registros desse tipo de ocorrência na região desde pelo menos 2022. Com as redes das operadoras regulares danificadas e os funcionários impedidos de trabalhar, os moradores teriam ficado com menos alternativas para contratar serviços de internet.
Segundo a polícia, o controle territorial exercido pelo crime organizado teria sido utilizado para gerar vantagem econômica a provedores que conseguiam operar na comunidade e que seriam ligados à facção. As estruturas também utilizariam cabos e equipamentos pertencentes às concessionárias legais, materiais destinados ao uso operacional e que não são regularmente comercializados.
Três investigados são identificados
As investigações identificaram três homens apontados como integrantes de diferentes níveis da estrutura investigada.
Um deles seria responsável por um dos provedores de internet. Outro atuaria na administração de duas outras empresas do setor. O terceiro é apontado como responsável por impedir diretamente a entrada de técnicos das concessionárias na comunidade.
A operação também apura situações em que uma das empresas investigadas teria sido beneficiada pelo afastamento forçado de concorrentes.
Entre os episódios analisados está o relato de que a administração de um condomínio da região teria sido obrigada a aceitar o serviço de uma das empresas. Segundo a investigação, funcionários teriam comparecido ao local acompanhados por traficantes e feito ameaças.
Investigação apura crimes
Até o momento, a operação apura possíveis crimes de receptação, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção ou perturbação de serviço de telecomunicação e associação criminosa.
A Polícia Civil informou que outras infrações poderão ser identificadas durante as diligências. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito, identificar outros possíveis integrantes da estrutura e aprofundar a apuração sobre os provedores e seus vínculos com o crime organizado.





