Primeiro dia de ciclofaixa no Rio tem fiscalização educativa
Nova faixa para autopropelidos funciona aos domingos e feriados na Zona Sul; multas e apreensões poderão começar em novembro
A nova ciclofaixa de lazer para veículos autopropelidos na orla da Zona Sul do Rio começou a funcionar neste domingo (30) com fiscalização de caráter educativo. Durante a manhã, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) abordaram usuários para orientar sobre as regras de circulação e realizaram testes de velocidade nos equipamentos.
A partir de 1º de novembro, a fiscalização passará a prever multas e apreensão de equipamentos que estejam fora dos parâmetros estabelecidos.
Com 7,2 quilômetros de extensão, a ciclofaixa funciona aos domingos e feriados, das 8h às 16h. O espaço ocupa uma faixa de rolamento junto ao canteiro central e passa pelas orlas do Leblon, na Avenida Delfim Moreira; Ipanema, na Avenida Vieira Souto; e Copacabana, na Avenida Atlântica, além da Rua Francisco Otaviano.
Durante a operação, a faixa é destinada exclusivamente à circulação de veículos autopropelidos.
Nos dias de funcionamento, o trânsito de veículos é interditado das 7h às 17h em trechos das avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto, na faixa junto ao canteiro central. A mesma restrição ocorre na Rua Francisco Otaviano, em uma faixa ao lado da ciclovia existente, e na Avenida Atlântica, entre a Avenida Rainha Elizabeth e a Rua Prado Júnior.
Também fica proibido estacionar nos canteiros centrais das avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto, das 7h às 17h, aos domingos e feriados.
Fiscalização identifica equipamentos fora do padrão
Um dos principais pontos verificados pelos agentes é a velocidade dos equipamentos. Durante a operação, usuários foram submetidos a testes com um dinamômetro, equipamento utilizado para aferir a velocidade dos veículos.
Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, bicicletas elétricas e autopropelidos não podem sair de fábrica com velocidade superior a 32 km/h.
Durante a fiscalização deste domingo, um equipamento utilizado pelo turista mineiro Lucas Santos atingiu 52 km/h na medição. Ele contou que havia pegado o veículo emprestado de um amigo, com quem estava hospedado em Ipanema.
“Não sabia de nada disso. Vou voltar e avisar a ele que o veículo está fora do padrão.”
— Lucas Santos
Outro usuário, Daniel Sakaki, também foi abordado enquanto circulava com a cadela pela ciclofaixa. O equipamento estava dentro dos parâmetros previstos.
“Quando comprei o vendedor disse que era de 32 km/h, mas a gente tem visto tanta irregularidade que ficamos preocupados com o resultado. Mas ainda bem que bateu tudo certo.”
— Daniel Sakaki
De acordo com Belchior, a prefeitura encontrou um equipamento que indicava 32 km/h no velocímetro, mas alcançou 68 km/h no dinamômetro. Para o secretário, o resultado indica adulteração.
“Isso claramente é um equipamento adulterado. Esses equipamentos são um exemplo claro de apreensões que a prefeitura vai começar a fazer a partir de novembro. A gente está distribuindo, está ordenando esse espaço para que todos possam aproveitar da nossa orla de maneira segura. Então, o decreto da prefeitura, pelo contrário, traz mais segurança. E a prefeitura está fazendo ações educativas, porque a resolução é confusa, é enrolada, o cidadão não sabe.”
— Marcus Belchior
Período educativo vai até outubro
A fiscalização educativa seguirá até 31 de outubro. A partir de novembro, condutores que estiverem fora das regras poderão ser autuados, multados e ter os equipamentos apreendidos.
“Até o dia 31 de outubro, a Prefeitura do Rio vai continuar a fazer essas fiscalizações de maneira educativa, mas, a partir de novembro, sim, a gente vai infracionar, a gente pode multar, a gente pode chegar até a apreender esses equipamentos, que muitos deles são até adulterados.”
— Marcus Belchior
Segundo o secretário, as operações não ficarão restritas à nova ciclofaixa da Zona Sul nem aos domingos e feriados. A partir desta segunda-feira (31), equipes deverão realizar ações itinerantes em diferentes pontos da cidade e em horários variados, tanto na malha viária quanto na infraestrutura cicloviária.
A prefeitura também informou que operações integradas com o Procon Carioca estão sendo realizadas junto a lojas e distribuidores para verificar a comercialização dos equipamentos e o cumprimento das regras de velocidade.
Usuários relatam dúvidas sobre as regras
O primeiro dia de operação também revelou dúvidas entre os próprios usuários sobre as normas para circulação dos autopropelidos.
O corretor de imóveis Sérgio Oliveira, morador da Gávea, utiliza o equipamento para deslocamentos pela Zona Sul e também durante visitas a imóveis. Para ele, é necessário que a fiscalização tenha continuidade e que as regras sejam claras.
“Contanto que exista uma consistência, porque tudo o que aconteceu até então é: ‘Ah, vai acontecer, vão aprender’. Agora tem esteira, controlador de velocidade. Porque aí daqui a pouco tudo passa e volta tudo à mesma coisa. Então, contanto que tenha uma consistência, eu acho ótimo. É confuso, inclusive, para as pessoas, para os usuários entenderem. Essa fiscalização aqui vai ser todo domingo e feriado? Porque vai estar essa galera toda aqui, aí semana que vem não tem mais ninguém. Também não pode virar uma encheção de saco, porque toda hora que você vai sair de bike, você é parado. Aí daqui a pouco a gente vem: ‘Será que vai ter hoje? Será que não vai ter?’. Então, a inconsistência é o que perturba.”
— Sérgio Oliveira
Moradora de Ipanema, Geovana Simões também foi abordada enquanto estava com o filho, de 8 anos. O equipamento utilizado por ela foi considerado regular após a verificação dos agentes.
“Como os autopropelidos chegavam a 30 km por hora, era igual à bicicleta elétrica, porque a bike elétrica podia andar na ciclovia e eles não. Se eles tinham a mesma velocidade máxima, fazia muito sentido. Aí você imagina a gente com criança pequena, com o cachorro, ter que andar no meio da rua, competindo com ônibus, motocicleta. Não dá. A gente mora aqui em Ipanema e meu filho estuda na Gávea, então tem nossa vida aqui. Facilita muito. Hoje em dia, não dá para brincar quando o assunto é segurança. Espero que essa ciclofaixa também seja ampliada.”
— Geovana Simões
Estrutura tem operação de trânsito e fiscalização
A operação envolve a Guarda Municipal, com 173 agentes, e 38 profissionais da CET-Rio. Ao longo dos 7,2 quilômetros, foram definidos 35 pontos de atuação e monitoramento, incluindo locais como postos de gasolina.
A estrutura também conta com placas e faixas informativas sobre as regras de circulação.
Para a operação, a Guarda Municipal utiliza nove viaturas, incluindo um caminhão, cerca de 2 mil cones, 76 rádios comunicadores e um drone para acompanhar o percurso. As equipes também atuam para impedir a entrada de carros e motocicletas na área destinada aos autopropelidos e combater o comércio irregular.
A implantação da ciclofaixa foi baseada em estudos e vistorias técnicas da CET-Rio, que apontaram baixo volume de veículos nas vias utilizadas para áreas de lazer aos domingos e feriados.
Nos trechos que não fazem parte da operação, os autopropelidos continuam autorizados a circular pela infraestrutura cicloviária permanente.
A fiscalização também envolve equipes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, Guarda Municipal, CET-Rio e Assistência Social. Segundo Belchior, a participação da assistência está relacionada também ao aumento do uso de autopropelidos por menores de idade, incluindo equipamentos capazes de alcançar velocidades superiores a 70 km/h.
“Não podemos permitir. O que a Prefeitura do Rio está fazendo é proteger vidas. A gente precisa trazer toda essa segurança para a malha viária e cicloviária da cidade.”
— Marcus Belchior
A expectativa é que os usuários se familiarizem com as regras durante o período educativo. Depois de outubro, a fiscalização poderá resultar em punições para condutores que circularem com equipamentos fora dos parâmetros e para veículos adulterados.




