Política

Renovação muda mais da metade da bancada do Rio na Câmara

Dos 46 deputados federais eleitos pelo estado, 21 conseguiram a reeleição e 25 cadeiras serão ocupadas por novos nomes a partir da próxima legislatura.

A eleição deste domingo (4) provocou uma forte renovação na bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados. Dos 46 parlamentares que representavam o estado, apenas 21 foram reeleitos.

Com isso, 25 cadeiras serão ocupadas por novos deputados, o equivalente a 54,3% de renovação. Entre os parlamentares que não conseguiram permanecer em Brasília estão nomes conhecidos da política fluminense, como Otoni de Paula, Hugo Leal, Reimont, Eduardo Bandeira de Mello e Rosângela Gomes.

Otoni de Paula deixa a Câmara

Otoni de Paula (PSD), de 49 anos, nasceu em Niterói e iniciou sua trajetória política como vereador do Rio. Ele chegou à Câmara dos Deputados em 2019, pelo PSC, e foi reeleito em 2022 pelo MDB. Em 2026, passou a integrar o PSD.

Pastor ligado à Assembleia de Deus e à Frente Parlamentar Evangélica, Otoni teve sua atuação marcada por pautas conservadoras e religiosas. Durante o governo Jair Bolsonaro, chegou a ocupar a vice-liderança do governo na Câmara.

Nos últimos anos, porém, aproximou-se de Eduardo Paes (PSD) e manteve diálogo com o governo Lula (PT).

Hugo Leal encerra trajetória de cinco mandatos

Hugo Leal (PSD), de 64 anos, também está entre os parlamentares que não conseguiram a reeleição. Advogado e economista, ele ocupava uma cadeira na Câmara desde 2007 e cumpria o quinto mandato.

Antes de chegar ao Congresso, passou por diferentes funções no governo do Rio de Janeiro, incluindo a presidência do Detran-RJ e as secretarias estaduais de Administração e Reestruturação, Justiça e Direitos do Cidadão, além de Energia e Economia do Mar.

Na Câmara, foi relator-geral do Orçamento da União de 2022 e teve atuação relacionada a orçamento, trânsito e segurança viária. Também foi relator da medida provisória que deu origem à Lei Seca, sancionada em 2008.

Reimont e Bandeira de Mello também ficam fora

Reimont (PT) não conseguiu renovar o mandato iniciado em 2023. Em seu primeiro período na Câmara, o parlamentar teve atuação em diferentes frentes, mas não alcançou a reeleição.

Outro nome conhecido que deixa a bancada é Eduardo Bandeira de Mello (PV), de 73 anos. Administrador, ele construiu uma carreira de mais de três décadas no BNDES antes de entrar na política partidária.

Bandeira de Mello ganhou projeção nacional como presidente do Flamengo, cargo que ocupou entre 2013 e 2018, em dois mandatos. Na Câmara, concentrou parte da atuação em temas relacionados ao esporte, além de meio ambiente e desenvolvimento econômico.

O parlamentar também integrou comissões como as de Esporte, Constituição e Justiça, Minas e Energia e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Rosângela Gomes não conquista o quarto mandato

Rosângela Gomes (Republicanos), de 59 anos, também não foi reeleita. A deputada estava em seu terceiro mandato consecutivo na Câmara, para onde foi eleita em 2014, 2018 e 2022.

Advogada, iniciou a carreira política em Nova Iguaçu, onde exerceu três mandatos como vereadora. Em 2010, foi eleita deputada estadual.

Em 2021, tornou-se a primeira mulher negra a integrar a Mesa Diretora da Câmara, ao assumir a quarta-secretaria. Durante o atual mandato, licenciou-se para comandar a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio.

Sua atuação política inclui temas relacionados aos direitos das mulheres, combate à discriminação racial, direitos humanos e políticas sociais.

Também não foram reeleitos Dimas Gadelha (PT), Sargento Portugal (Podemos) e Murillo Gouvêa (PSDB), entre outros parlamentares.

Rogéria Bolsonaro fica fora da Câmara

A eleição também terminou com a derrota de candidaturas que receberam atenção durante a campanha. Entre elas está Rogéria Bolsonaro (PL), ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro.

Rogéria recebeu 65.496 votos e terminou como segunda suplente do PL. Ela contou com o apoio declarado dos filhos, recursos do partido e participação em palanques e eventos ao lado de Flávio Bolsonaro.

O resultado ocorreu mesmo com o desempenho do PL no estado. A legenda conquistou 15 das 46 vagas destinadas ao Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados e formou a maior bancada fluminense.

Laís Jordy não consegue vaga na Câmara

Outra candidatura que não obteve sucesso foi a de Laís Jordy (PL), mulher do deputado federal Carlos Jordy. Ela disputou uma cadeira na Câmara com o número 2288, mas não conseguiu se eleger.

O resultado foi diferente do obtido pelo marido. Carlos Jordy foi eleito senador com 3,9 milhões de votos.

Laís havia sido lançada para disputar a vaga que seria deixada por Jordy na Câmara, mas não conseguiu conquistar uma das cadeiras destinadas ao Rio de Janeiro.

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