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Rio cria reserva marinha de 3 mil hectares na Zona Oeste

O Governo do Estado do Rio de Janeiro criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá, na Zona Oeste da capital. Com aproximadamente 3 mil hectares, a área será administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e terá como foco a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros, além da valorização das comunidades tradicionais que dependem da pesca artesanal.

A unidade foi criada em 16 de outubro e abrange a região entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. O território inclui ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos que servem de abrigo, alimentação e reprodução para diferentes espécies, incluindo animais ameaçados e de interesse pesqueiro.

A iniciativa pretende contribuir para a recuperação dos estoques de peixes e preservar a conexão entre os habitats naturais. Também busca ampliar a proteção contra ameaças como pesca predatória e ilegal, descarte de resíduos, turismo desordenado e pesca fantasma, quando equipamentos de pesca abandonados continuam capturando animais.

Coordenada pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e pelo Inea, a criação da reserva procura conciliar a conservação da biodiversidade com o uso sustentável dos recursos naturais.

A medida também contribui para o compromisso internacional conhecido como meta 30×30, previsto no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. O objetivo é proteger pelo menos 30% das áreas terrestres e 30% das áreas marinhas e costeiras até 2030.

“ Ao integrar conservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais e participação das populações tradicionais nas decisões sobre o território, a unidade concilia a ampliação das áreas protegidas com uma gestão efetiva, participativa e equitativa”, destacou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma categoria de unidade de conservação de uso sustentável prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Esse modelo permite a manutenção de atividades tradicionais compatíveis com a preservação ambiental.

A RDS Urupirá contará com um Conselho Deliberativo formado por representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais beneficiárias e outros usuários cadastrados pelo órgão gestor.

O conselho participará das decisões relacionadas ao planejamento e à administração da área. Entre as ações previstas estão o monitoramento dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas, pesquisas científicas, atividades de educação ambiental e reforço da fiscalização.

A unidade também permitirá o desenvolvimento organizado do ecoturismo, da visitação pública e de atividades esportivas, desde que sejam compatíveis com os objetivos de conservação.

O nome Urupirá faz referência à memória histórico-cultural da região. De origem indígena ancestral, a palavra era utilizada para designar a atual Ilha das Palmas e remete à expressão “cesto do peixe”, em referência à tradição pesqueira do território.

A criação da reserva contou com parceria técnica da organização The Nature Conservancy (TNC) e do Ilhas do Rio – Instituto Mar a Dentro.

O processo foi baseado em estudos técnicos e na participação de diferentes setores da sociedade, por meio de escutas territoriais, reuniões, oitivas e consulta pública. As contribuições ajudaram a definir os objetivos da unidade, identificar as populações beneficiárias e estabelecer mecanismos de participação na gestão.

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