SUS incorpora técnica para tratar glaucoma e catarata em uma cirurgia
Novo procedimento permite tratar as duas doenças em uma única intervenção, com menor invasividade, recuperação mais rápida e potencial de redução de custos para o sistema público de saúde
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma nova técnica cirúrgica capaz de tratar glaucoma e catarata ao mesmo tempo. A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira (17).
O procedimento permite a remoção do cristalino, afetado pela catarata, e a desobstrução do canal de drenagem do olho em uma única cirurgia. A proposta é voltada a pacientes com casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA).
A incorporação foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde em conjunto com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A deliberação favorável ocorreu em 21 de agosto.
A nova abordagem é considerada menos invasiva do que algumas das alternativas utilizadas atualmente. Entre os benefícios apontados estão recuperação mais rápida, menor risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular, cuja elevação pode provocar perda progressiva da visão e levar à cegueira quando não tratada.
“Além de ampliar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, essa inovação otimiza recursos públicos e reforça o compromisso do SUS de levar o que há de mais avançado na medicina para quem mais precisa”, avaliou a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri.
— Fernanda De Negri
Como funciona a nova cirurgia
O tratamento incorporado ao SUS contempla duas possibilidades cirúrgicas. Uma delas é a goniotomia excisional, realizada por meio de uma pequena incisão na córnea.
A outra é a trabeculotomia transluminal, feita com a introdução de um microcateter ou fio cirúrgico no canal natural de drenagem do olho.
O novo procedimento será incluído no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do glaucoma. Atualmente, o tratamento inicial na rede pública é feito com colírios destinados a reduzir a pressão intraocular.
Quando os medicamentos não produzem o efeito esperado ou há dificuldades para manter o uso regular, podem ser indicados tratamentos a laser ou procedimentos cirúrgicos, entre eles o implante de drenagem oftalmológico conhecido como iStent.
Segundo o Relatório para Sociedade elaborado pela Conitec, somente a goniotomia excisional representa uma redução de aproximadamente R$ 18 mil a cada ano de vida saudável ganho pelo paciente em comparação ao iStent.
Economia para o SUS
A incorporação da goniotomia excisional também pode gerar redução de despesas para o sistema público de saúde.
A estimativa apresentada pela Conitec aponta uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano, chegando a R$ 93,2 milhões no quinto ano. Ao longo desse período, a economia acumulada na substituição da cirurgia com iStent pela goniotomia excisional será de R$ 276 milhões.
Glaucoma e catarata
O glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico, responsável por levar as imagens captadas pelo olho até o cérebro. A doença provoca perda progressiva de células da retina e compromete gradualmente a visão periférica.
Segundo dados da Conitec, o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás da catarata.
A doença possui dois tipos principais: o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), que apresenta evolução lenta e silenciosa, e o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF), que geralmente se manifesta de maneira mais súbita e aguda.
Ainda de acordo com a Conitec, o glaucoma acomete até 3% da população brasileira com mais de 40 anos. O GPAA é a forma mais frequente, correspondendo a cerca de 60% dos diagnósticos no país.
A catarata, por sua vez, ocorre quando o cristalino perde sua transparência e fica opaco. A alteração reduz a capacidade visual e afeta principalmente a população idosa.





