Visita técnica ao sítio paleontológico reuniu pesquisadores durante congresso e destacou fósseis de cerca de 56 milhões de anos
O Parque Municipal Natural São José de Itaboraí recebeu, na manhã de sábado (19), paleontólogos de diferentes países da América Latina e da França. A visita técnica fez parte da programação do VIII Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados e colocou em destaque a importância científica do sítio para o estudo da evolução dos mamíferos na América do Sul.
A atividade foi organizada pela administração do parque, com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo e de professores da UERJ e da UFRJ. Durante a visita, os pesquisadores conheceram aspectos da história do período Paleógeno e as características da região onde foram encontrados fósseis de mamíferos e outros vertebrados com aproximadamente 56 milhões de anos.
Segundo o gestor do parque, Luís Otávio, a presença dos pesquisadores reforça a relevância de Itaboraí para estudos relacionados ao período.
“Nosso município tem uma representatividade enorme dentro da paleontologia. O parque é um importante espaço de pesquisa para geólogos e paleontólogos, que podem compreender, a partir dos vestígios e registros preservados, diferentes aspectos da formação e da ocupação do território da América Latina ao longo do tempo. A visitação contribui para aproximar os pesquisadores visitantes desse patrimônio e reforça a importância de preservar esse espaço para as futuras gerações.”
— Luís Otávio, gestor do Parque Municipal Natural São José de Itaboraí
Fósseis ajudam a estudar evolução dos mamíferos
Entre os participantes estava o paleontólogo argentino Javier Gelfo, do Museu de La Plata, professor da Universidade Nacional de La Plata e pesquisador do CONICET. Para ele, o sítio de Itaboraí tem papel importante na compreensão das transformações ocorridas durante o Paleógeno e na evolução dos mamíferos.
“Itaboraí é um sítio paleontológico muito importante do ponto de vista da evolução dos mamíferos e, sobretudo, para entender quais eventos ocorreram durante o Paleógeno. Os fósseis encontrados na região incluem representantes de grupos de mamíferos já extintos, como os Notoungulata e Xenungulata, além de uma diversidade significativa de marsupiais. Esses registros ajudam os pesquisadores a compreender a fauna existente entre o final do Paleoceno e o início do Eoceno, período em que a América do Sul apresentava elevado grau de isolamento geográfico.”
— Javier Gelfo, paleontólogo argentino
De acordo com o pesquisador, o isolamento geográfico da América do Sul contribuiu para o surgimento de espécies e grupos exclusivos do continente. Nesse cenário, o sítio de Itaboraí permite comparar os registros encontrados no Sudeste brasileiro com fósseis identificados em outras regiões sul-americanas, especialmente na Patagônia.
O local também reúne registros de aves e de arcossauros, incluindo crocodilos. A diversidade amplia as possibilidades de pesquisa sobre os animais que habitavam a América do Sul durante o Paleógeno.
Itaboraí e a Patagônia são apontados pelos pesquisadores como áreas de grande importância para o estudo da evolução da vida no continente.
A visita de especialistas de diferentes países também amplia a aproximação entre a comunidade científica e o patrimônio paleontológico de Itaboraí, contribuindo para o conhecimento e a preservação dos registros naturais encontrados na região.





