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Brotas transforma preservação ambiental em turismo de aventura

Conhecida como “Capital da Aventura”, cidade paulista desenvolveu o turismo a partir da valorização do rio Jacaré-Pepira e da preservação de suas áreas naturais

Cercada por rios, cachoeiras e áreas de mata, Brotas, no interior de São Paulo, transformou a preservação de seus recursos naturais em uma das principais bases de sua economia turística.

Conhecida nacionalmente como a “Capital da Aventura”, a cidade reúne condições para a prática de esportes radicais e atividades ao ar livre. Entre os principais atrativos está o rio Jacaré-Pepira, que corta o município, tem 174 quilômetros de extensão e é formado por diversos afluentes de nascentes preservadas. Ao longo de seu percurso, são mais de 50 cachoeiras e quedas d’água.

Mobilização pela preservação

A relação entre Brotas e o turismo de aventura começou a ganhar força na década de 1990. Na época, a economia local era baseada principalmente na agricultura e o município buscava alternativas para atrair investimentos.

Uma das propostas era instalar um curtume, indústria destinada ao processamento de peles de animais para a produção de couro. A iniciativa, porém, encontrou resistência entre moradores que utilizavam o Jacaré-Pepira como principal espaço de lazer e temiam impactos ambientais sobre o rio.

A mobilização levou jovens da cidade a defender ações de preservação e o desenvolvimento do ecoturismo. O grupo também passou a identificar e catalogar cachoeiras e outros atrativos naturais da região.

“Naquela época, a juventude de Brotas já aproveitava e muito a natureza. Conheciam muito bem nosso rio. Esse mesmo grupo fez o trabalho de catalogar todas as cachoeiras, os principais atrativos e começar o turismo na cidade.” — Aline Tambasco, moradora de Brotas

As características do Jacaré-Pepira e as paisagens naturais do município favoreceram a expansão de atividades como rafting, canionismo e rapel, que ajudaram a consolidar a imagem de Brotas como destino de aventura.

Preservação do Jacaré-Pepira

Com a natureza no centro da atividade turística, a preservação ambiental passou a integrar a atuação de moradores, ativistas e profissionais que dependem do turismo de aventura.

A criação de conselhos ambientais também ampliou a participação da sociedade na discussão de políticas voltadas à proteção dos recursos naturais.

Uma das instituições que atua nessa área é o Instituto Astral, fundado em 2021. A organização desenvolve projetos de educação ambiental, artes e ciência voltados à preservação do Jacaré-Pepira e de sua biodiversidade.

“O rio é o personagem principal de Brotas. Sem ele, a cidade não teria o desenvolvimento econômico, agrícola e humano que tem. E nós temos o olhar de devolver para o rio o que ele deu para os moradores.” — Vivian da Cunha, presidente e fundadora do Instituto Astral

Segundo Aline Tambasco, gerente de projetos do instituto, mudanças ambientais e a redução da quantidade de água no rio reforçam a necessidade de ampliar as ações de preservação.

“Desde o início do turismo de aventura em Brotas, tivemos muitas mudanças ambientais e a quantidade de água no rio também diminuiu.” — Aline Tambasco

“Por isso, a gente traz esse olhar de colocar a natureza como protagonista dos nossos projetos, entendendo que esse contato deve ser fortalecido na sociedade, assim como foi lá no início do projeto de turismo em Brotas.” — Aline Tambasco

Rafting

Entre as principais atividades de aventura de Brotas está o rafting, realizado em botes infláveis que descem o rio por trechos com corredeiras, ondas e pequenas quedas d’água.

Antes da atividade, os participantes recebem orientações de segurança e aprendem comandos básicos para remar em equipe. O passeio é acompanhado por instrutores especializados.

“É a atividade carro chefe da cidade. Aqui falamos que ‘quem vem para Brotas e não faz o rafting, não veio para Brotas’. É a atividade perfeita para quem quer sentir frio na barriga e experimentar coisas novas.” — Gabriel Pessa, instrutor da EcoAção

A modalidade também recebe pessoas sem experiência prévia. Segundo o instrutor, o público inclui crianças e idosos, além de pessoas com diferentes tipos de deficiência.

“Atendemos de crianças à pessoas de idade. A gente já chegou a descer com cadeirante, com cegos e surdos, com pessoas paralíticas. Todo o tipo de público.” — Gabriel Pessa

Canionismo

O canionismo combina caminhada, natação, escalada e rapel em percursos que acompanham o curso de rios dentro de cânions.

Em Brotas, a atividade passa por áreas de mata, trechos de rio, paredões de pedra, piscinas naturais e quedas d’água. Os participantes são acompanhados por profissionais e utilizam equipamentos de segurança durante o percurso.

A modalidade permite explorar áreas naturais que não são acessíveis em passeios convencionais, unindo atividades de aventura à observação das paisagens da região.

Tirolesa

Outra opção para quem busca aventura é a tirolesa, que permite atravessar os vales de Brotas suspenso por um cabo de aço e equipado com sistemas de segurança.

No Vale do Serjão está uma das maiores tirolesas do estado de São Paulo, com 1,8 quilômetro de extensão e localizada a 130 metros de altura.

Antes da descida, os participantes recebem instruções sobre o funcionamento dos equipamentos e o percurso. Capacete, cadeirinha e outros itens de segurança são utilizados durante a atividade.

“A galera pergunta se o equipamento vai aguentar o peso delas e sempre frisamos: o equipamento aguenta mais de duas toneladas e os cabos de aço aguentam mais de oito toneladas.” — Gabriel Pessa

“Na tirolesa, sempre reforçamos como vai ser o percurso. Como que vai funcionar o equipamento, quem aperta, quem regula, que hora você pode fazer aquilo e que hora você não pode.” — Gabriel Pessa

Com rios, cachoeiras, mata e diferentes modalidades de aventura, Brotas consolidou um modelo de turismo baseado na utilização dos atrativos naturais sem deixar de lado a discussão sobre preservação ambiental.

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