Esportes da Vila Olímpica de Nova Iguaçu ajudam PCDs a ganhar autonomia
Atividades gratuitas reúnem cerca de 300 pessoas com deficiência e estimulam socialização, coordenação motora e independência
O esporte tem ajudado alunos com deficiência a desenvolver autonomia, melhorar a convivência social e enfrentar desafios do dia a dia na Vila Olímpica de Nova Iguaçu. Atualmente, cerca de 300 pessoas com deficiência (PCDs) participam gratuitamente das atividades oferecidas pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.
Entre os alunos está Bruno Ferreira dos Prazeres, de 28 anos. Biólogo, ele encontrou nas quadras e pistas da Vila Olímpica um estímulo para retomar os estudos e reorganizar a rotina após ser diagnosticado com esquizofrenia paranoide em 2017.
Bruno pratica atletismo, hóquei e tênis adaptado. Segundo ele, a convivência durante as aulas foi importante para recuperar a motivação e concluir a faculdade de Biologia.
“Durante os estudos na faculdade, comecei a manifestar os primeiros sintomas. Depois disso, mudou muita coisa. Tive que me adaptar para ter uma vida e parar um pouco os estudos. O esporte me fez esquecer meus problemas de saúde, me motivou a retomar os estudos e aqui na quadra somos uma família. Aqui não tem diferença, somos todos iguais”, afirma.
O aluno também relata mudanças na rotina depois que começou a praticar as modalidades. De acordo com Bruno, as atividades contribuíram para melhorar o sono, aumentar a disposição e reduzir a frequência dos episódios relacionados à doença.
“Com as aulas consigo dormir melhor, gasto mais energia e tenho menos quadros da doença. Só me fez bem. Já quero migrar para outras aulas, como a de boxe aqui na Vila Olímpica”, diz.
Esporte contribui para socialização
A experiência de Bruno é semelhante à de outros alunos que encontraram nas atividades esportivas uma oportunidade de ampliar a interação social e desenvolver novas habilidades.
Um deles é Diogo Alves de Castro, de 27 anos. Ele teve paralisia cerebral aos cinco anos e, segundo a avó, Deusdemona Borges Coelho, de 79 anos, apresentou dificuldades de comunicação, interação e coordenação motora durante a infância.
Com a prática esportiva, a família passou a perceber mudanças no comportamento e na mobilidade do jovem.
“Ele começou a andar de joelhos. Estranhamos e percebemos que tinha algo com ele. Ele não conversava, não interagia. Hoje, com o esporte, ele é comunicativo, anda melhor, tem mais coordenação motora e vejo nos olhos dele que está mais feliz. Ele melhorou até a aprendizagem”, conta Deusdemona.
Morador de Austin, Diogo vive com o pai e a avó e participa de diferentes modalidades na Vila Olímpica. No atletismo, disputa provas de corrida e salto em distância.
A dedicação também se reflete nos resultados. O jovem acumula cerca de 250 medalhas em provas de corrida, além de seis na natação e uma no vôlei, todas em modalidades adaptadas.
Para o professor de Educação Física Cleir José dos Santos, que acompanha as aulas de tênis adaptado e hóquei, realizadas no ginásio e no campo de grama, o objetivo é garantir que todos os alunos participem das atividades.
“Trabalhamos com a inclusão, independentemente da deficiência do atleta. Quando os alunos chegam aqui, esquecem o problema de saúde e a deficiência, porque se sentem abraçados”, explica.
Além da socialização, as atividades esportivas contribuem para o desenvolvimento do equilíbrio, da concentração e da coordenação motora. A prática também estimula a autonomia e a convivência entre os participantes.
Inscrições
As inscrições para as atividades da Vila Olímpica são abertas na primeira semana de cada mês e devem ser feitas presencialmente na unidade, localizada na Rua Luís de Lima, nº 288, no Centro de Nova Iguaçu.





