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TH Joias mantinha 200 kg de drogas e controlava pagamentos, diz MPF

Denúncia aponta que ex-deputado intermediava vendas de cocaína, mantinha entorpecentes armazenados e usava planilha chamada “Pó Amigo TH” para acompanhar dívidas

O ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar diretamente do comércio de drogas. Segundo a denúncia, ele teria intermediado negociações, acompanhado pagamentos de compradores e mantido entorpecentes armazenados para venda.

Entre as provas reunidas pelos investigadores estão uma planilha intitulada “PÓ AMIGO TH”, mensagens trocadas pelo WhatsApp e imagens de uma sala onde havia sacos de drogas. Em uma das conversas, registrada em fevereiro de 2024, TH teria enviado a Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, fotografias do local e informado: “Tem 200kg”.

A denúncia integra a ação penal decorrente da Operação Zargun, investigação que apura o tráfico internacional de armas do Paraguai para comunidades do Rio. Além de três acusações de tráfico de drogas, TH responde por organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo, 11 episódios de contrabando e 13 de corrupção ativa.

Planilha de pagamentos

Segundo o MPF, um dos primeiros registros relacionados ao tráfico ocorreu em 8 de novembro de 2023. Mensagens entre TH e Gabriel Dias de Oliveira, apontado pelos investigadores como integrante da estrutura logística do grupo, indicariam uma negociação de cocaína com uma pessoa não identificada.

A Procuradoria afirma que TH também enviou a Índio uma planilha com datas de pagamentos e valores ainda devidos por um comprador. O arquivo teria sido nomeado “PÓ AMIGO TH”.

Para o MPF, o documento indica que o então deputado atuava tanto na intermediação da venda quanto no acompanhamento da dívida e no recebimento dos valores.

Drogas armazenadas

Em 21 de fevereiro de 2024, TH teria enviado a Índio imagens de uma sala cheia de sacos de entorpecentes. Na sequência, informou a quantidade armazenada.

“Tem 200kg.” — TH Joias

Índio respondeu:

“Isso não é bom de vender, não.” — Índio

A denúncia afirma que TH mantinha aproximadamente 200 kg de drogas sob sua guarda para fins comerciais. O próprio documento do MPF, porém, apresenta uma divergência sobre o material: em um trecho, a acusação identifica a substância como cocaína; na descrição das imagens, os sacos são apontados como contendo maconha.

Em 27 de junho de 2024, ainda segundo a Procuradoria, TH teria procurado Índio novamente para oferecer cocaína. De acordo com a denúncia, ele atuaria como intermediário de um fornecedor que não foi identificado.

O MPF afirma que não foi possível comprovar se a negociação resultou efetivamente na entrega da droga, mas sustenta que a oferta configuraria uma das modalidades previstas no crime de tráfico.

Com base nos três episódios, os procuradores afirmam que TH teria contribuído para a venda, mantido drogas em depósito e oferecido entorpecentes para comercialização. Por isso, foram atribuídos a ele três crimes de tráfico de drogas.

Relação com o Comando Vermelho

A acusação do MPF também descreve TH como integrante de uma estrutura ligada ao Comando Vermelho. Segundo a denúncia, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, estaria no topo da organização.

Abaixo dele, de acordo com os investigadores, funcionaria um núcleo de liderança política formado por TH e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário de Esportes e Lazer e ex-subsecretário de Defesa do Consumidor do governo Castro.

Índio e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu e que chegou a trabalhar como assessor parlamentar de TH, são apontados como integrantes do núcleo responsável pela coordenação logística.

Para os procuradores, TH faria a ligação entre integrantes da facção e instituições do Estado, além de coordenar atividades ilícitas ao lado de Índio e Dudu, sob supervisão de Pezão.

A denúncia também menciona que TH foi condenado em 2017 a 14 anos, 11 meses e 22 dias de prisão por tráfico de drogas. Em 2022, concorreu à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pelo MDB, ficou como suplente e assumiu uma cadeira no Legislativo em junho de 2024.

Atuação política

Segundo o MPF, durante o período em que exerceu atividade parlamentar, TH teria prometido apoio a projetos sociais em comunidades nas áreas de esporte, cultura e educação. Ele também foi nomeado presidente da Comissão de Defesa Civil da Alerj.

Paralelamente, de acordo com a acusação, o ex-deputado teria intermediado interesses da organização criminosa.

A denúncia cita uma suposta tentativa de interferência na escolha do presidente de uma associação de moradores do Gardênia Azul e uma proposta para indicar um comandante do 2º Comando de Policiamento de Área da Polícia Militar.

Em 25 de abril de 2024, ainda segundo o MPF, TH teria informado antecipadamente a Índio sobre uma operação policial nos complexos do Alemão e da Penha e se oferecido para ajudá-lo a se esconder.

Outra imagem mencionada na investigação mostra TH deitado sobre uma cama coberta de dinheiro em espécie. O arquivo teria sido localizado na nuvem atribuída ao ex-deputado e, conforme a denúncia, foi registrado às 14h40 de 2 de maio de 2024, aparentemente em sua residência.

A investigação descreve a organização como dividida em cinco núcleos: liderança, liderança política, coordenação logística, infiltração e corrupção e núcleo operacional. Segundo a acusação, integrantes da estrutura e agentes infiltrados no Estado seriam utilizados para movimentar drogas e armas e obter informações sobre operações policiais.

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