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PF investiga lista com 61 políticos do RJ e movimentação de mais de R$ 20 milhões ligada ao bicheiro Adilsinho

Uma lista apreendida pela Polícia Federal na residência do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, reúne os nomes de 61 políticos do Rio de Janeiro e registra uma movimentação superior a R$ 20 milhões. Segundo a investigação, as anotações podem indicar o uso de recursos provenientes do jogo do bicho para financiar campanhas eleitorais nas eleições de 2022.

Os documentos foram encontrados durante a Operação Smoke Free, deflagrada em 2022, e ganharam relevância na quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada neste mês. A partir das planilhas, a PF passou a aprofundar a apuração sobre a relação entre empresas gráficas contratadas por campanhas eleitorais e o grupo investigado.

É importante destacar que, segundo a Polícia Federal, os 61 políticos mencionados nas planilhas não foram alvo dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta fase da operação.

PF investiga suposto financiamento de campanhas

De acordo com os investigadores, as planilhas manuscritas continham nomes de candidatos, valores e observações indicando duas formas de pagamento: “em espécie” e “no banco”. Os registros ultrapassam R$ 20 milhões.

A investigação aponta que os dados encontrados apresentam correspondência com informações declaradas pelos candidatos à Justiça Eleitoral, o que reforçou a hipótese de um suposto financiamento ilícito de campanhas.

“O confronto entre os manuscritos apreendidos e as prestações de contas oficiais declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro revelou perfeita convergência de dados, reforçando a hipótese investigativa de que a organização criminosa injetava dinheiro em espécie diretamente nas campanhas de candidatos.”

— Trecho do inquérito da Polícia Federal

Gráficas são apontadas como parte do esquema

A Polícia Federal investiga seis empresas gráficas que teriam sido utilizadas para operacionalizar o suposto esquema:

  • Gráfica Editora Completa;
  • Nova Visual Representações Gráficas;
  • INC Indústrias Gráficas e Editora;
  • Apel Gráfica e Editora;
  • Fast Gráfica e Editora;
  • Paper Color Gráfica e Editora.

Segundo a PF, a suspeita é de que candidatos contratassem materiais de campanha dessas empresas, mas que os pagamentos fossem realizados pelo grupo ligado ao jogo do bicho.

A principal empresa investigada é a Gráfica Editora Completa. Conforme o inquérito, durante as eleições de 2022, ela prestou serviços para 73 candidatos e movimentou R$ 1.488.019,65, quase integralmente provenientes de recursos públicos destinados às campanhas eleitorais.

Transferências financeiras também são investigadas

A investigação aponta ainda movimentações financeiras entre empresas ligadas ao grupo de Adilsinho e as gráficas investigadas.

Segundo a PF, a Companhia Sulamericana de Tabacos realizou 47 transferências para a Apel Gráfica, totalizando aproximadamente R$ 1,8 milhão. O inquérito também registra um repasse de R$ 300 mil para Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho.

As autoridades continuam cruzando dados financeiros e eleitorais para verificar a origem dos recursos e a regularidade das despesas declaradas pelos candidatos.

Prisões na Operação Unha e Carne

A quinta fase da Operação Unha e Carne resultou no cumprimento de três mandados de prisão contra Adilsinho, que já estava preso, o ex-chefe da Polícia Civil Márcio Pôncio e o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi transferido para um presídio federal em Brasília. Na decisão, o ministro afirmou que o ex-deputado estaria recebendo privilégios no sistema prisional fluminense, incluindo acesso a aparelhos celulares, o que permitiria a manutenção de influência sobre agentes públicos.

Defesas contestam acusações

Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar negou qualquer envolvimento com os fatos investigados e afirmou que o ex-deputado sempre exerceu suas funções públicas dentro da legalidade.

“A instrução do processo demonstrará a completa inocência de Rodrigo Bacellar.”

— Defesa de Rodrigo Bacellar

Os advogados de Bernardo Coutinho Loyola informaram que ainda não tiveram acesso aos autos do processo e que o cliente desconhece os pagamentos mencionados.

Já a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que não foi oficialmente comunicada sobre os motivos da transferência de Bacellar para o sistema penitenciário federal e afirmou que, durante sua permanência no sistema prisional do Rio de Janeiro, não foram encontrados materiais irregulares nas inspeções realizadas.

Até a publicação desta reportagem, os demais citados na investigação não haviam se manifestado.

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