Entregador abordado por guardas em Ipanema diz ter medo de sair de casa
Lucas Campos Gonçalves Coelho desmaiou e teve convulsões durante a abordagem, no domingo (11). Testemunha classificou a ação como “violência absurda”; Guarda Municipal abriu apuração interna.
O entregador por aplicativo Lucas Campos Gonçalves Coelho afirma que ainda está em choque após uma abordagem da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, em Ipanema, na Zona Sul, no último domingo (11). Durante a ocorrência, ele desmaiou, teve convulsões e ficou ferido. Segundo o entregador, o episódio deixou medo de voltar a sair de casa.
“Eu tô bem assustado, estou em choque ainda. Não quero sair, não quero ir na rua. Estou com bastante medo.”
— Lucas Campos Gonçalves Coelho, entregador
Uma psicóloga que presenciou parte da abordagem relatou que o homem chegou a espumar pela boca após receber um choque dos agentes. Ela também afirmou ter visto o entregador ser agredido e imobilizado. O caso é investigado internamente pela Guarda Municipal.
Testemunha relata agressões durante abordagem
A psicóloga Alícia Arantes contou que chegou ao local depois de ser informada por outras testemunhas de que o entregador não teria conseguido parar a bicicleta a tempo durante uma coleta para o aplicativo iFood e atingido uma placa de sinalização levantada por um guarda. Segundo os relatos que recebeu, o agente teria usado a placa para atingi-lo.
A versão apresentada pela Guarda Municipal é diferente. A corporação afirma que o entregador quase atropelou uma pedestre ao desobedecer a uma ordem de parada na ciclofaixa.
Alícia disse que começou a gravar quando Lucas parou a bicicleta para filmar os agentes e reclamar que estava sendo agredido.
“O que aconteceu foi uma violência absurda!”
— Alícia Arantes, psicóloga e testemunha
Segundo ela, outros guardas se envolveram na ocorrência, e o entregador foi atingido por golpes e por uma arma de eletrochoque. A testemunha afirmou ainda que o celular dele caiu durante a abordagem.
Alícia relatou que interrompeu a gravação ao perceber os movimentos involuntários na perna do entregador, que indicariam uma convulsão. Ela saiu do apartamento e foi até o local, onde encontrou o homem espumando pela boca.
Uma enfermeira que passava pela região teria parado para prestar auxílio. A psicóloga afirmou que, mesmo após o episódio, os agentes continuaram tentando imobilizar o entregador.
Diante do que presenciou, Alícia decidiu ir à delegacia para prestar depoimento. Ela também relatou que apresentou vídeos da ocorrência às autoridades e que, a partir disso, a situação durante o registro policial começou a mudar.
Guarda Municipal apresenta outra versão
Em nota, a Guarda Municipal do Rio informou que a ocorrência foi registrada na 13ª DP (Copacabana). Segundo a corporação, o entregador trafegava de bicicleta pela ciclofaixa e desobedeceu a uma ordem de parada próximo à travessia de pedestres, colocando uma mulher em risco de atropelamento.
A Guarda afirma que, em seguida, o homem bateu contra uma placa de trânsito utilizada pelos agentes e desacatou a equipe.
Ainda de acordo com a versão oficial, os guardas deram voz de prisão ao entregador, que teria resistido à abordagem. A corporação confirmou o uso de uma pistola de eletrochoque e declarou que o homem recusou atendimento médico.
A ocorrência foi registrada como desacato, desobediência, resistência e lesão corporal. A Guarda Municipal informou que vai instaurar uma apuração para investigar a conduta dos agentes durante a abordagem.





