Operação mira grupo acusado de levar drogas de SP ao RJ
Investigação aponta uso de empresas de transporte para ocultar cargas e movimentações financeiras superiores a R$ 70 milhões
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil realizam nesta terça-feira (22/09) uma operação contra um grupo investigado por transportar toneladas de drogas de São Paulo para o Rio de Janeiro. A ação, denominada Operação Icarus, também apura lavagem de dinheiro e ligações com o Comando Vermelho.
O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ) denunciou 15 pessoas e obteve a prisão preventiva dos investigados. Os mandados são cumpridos em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.
A operação envolve a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), Polícia Civil do Rio de Janeiro, polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas, além da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).
Até o momento, seis pessoas foram capturadas, entre elas Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, apontado nas investigações como fornecedor de drogas e articulador da estrutura investigada.
Empresas eram usadas para transportar drogas
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas dos setores de transporte e logística para esconder as cargas ilícitas em meio a mercadorias regulares e viabilizar o transporte entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
A apuração identificou uma divisão de tarefas entre integrantes responsáveis pelo fornecimento, logística, transporte, cobrança e recolhimento de valores. Também foram identificadas pessoas que, segundo os investigadores, atuavam como interpostas para movimentar recursos provenientes do tráfico.
Duas grandes apreensões de drogas foram relacionadas à estrutura investigada. Em 2 de fevereiro de 2024, foram apreendidos 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, São Paulo.
Em 31 de maio do mesmo ano, outros 73,8 quilos de cocaína foram apreendidos em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio. Segundo a investigação, as duas cargas estavam inseridas na mesma dinâmica de transporte interestadual de entorpecentes.
Investigação começou com registros de “My Thor”
A apuração teve origem em registros de contabilidade do tráfico apreendidos durante uma investigação sobre Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como “My Thor”, apontado pelas autoridades como uma liderança do Comando Vermelho.
Entre as anotações, os investigadores encontraram registros de pagamentos feitos por “My Thor” a uma pessoa identificada como “Boss”. A partir dessas informações, a polícia passou a investigar a estrutura responsável pelo fornecimento e transporte das drogas.
Segundo as autoridades, Laércio Isidoro do Nascimento Júnior negociava cargas, organizava fretes e pagamentos, coordenava operadores logísticos e mantinha contato com integrantes da facção para o abastecimento de comunidades.
Movimentações financeiras chegaram a R$ 70 milhões
Além do transporte de drogas, a investigação identificou uma estrutura voltada à lavagem dos recursos obtidos com o tráfico.
A análise de comunicações sobre operações financeiras consideradas atípicas envolvendo investigados e estabelecimentos comerciais apontou movimentações de R$ 70.497.597 em curto período.
Segundo o MPRJ, empresas registradas em nome de laranjas eram utilizadas para ocultar e dissimular valores provenientes da atividade criminosa.
Entre os denunciados apontados como responsáveis pela logística, transporte e cobrança estão Petterson Suzuki Marques Trindade, o “Pet”; Rafael de Menezes Faustino, o “Alemão”; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira.
Também são citados Pedro Henrique Mesquita da Silva, o “Tiquinho”; Thiago Claudio Duarte Chagas, o “Cabeça”; Matheus Eduardo Tentempo Lima, o “Dourado”; Anderson Santanna da Silva, o “Gão”; Anderson Adriano de Oliveira, o “Dnort”; e Bruno de Lemo Garcia, o “Bruninho”, apontados como responsáveis pelo recebimento recorrente das drogas no Rio de Janeiro para posterior redistribuição.
Alsuece Alves de Assis, o “Sussu”, e Simone Alexandrino são apontados como pessoas interpostas na estrutura investigada.

Mandados também buscam provas
Além das prisões, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão e outras medidas judiciais para localizar aparelhos eletrônicos, documentos, dinheiro, veículos e outros elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.
Segundo o GAESF/MPRJ, os denunciados respondem por crimes de associação para o tráfico e lavagem de capitais. O Ministério Público também requereu o confisco de bens e a perda alargada do patrimônio dos acusados.





