Operação em Vigário Geral e Parada de Lucas mobiliza PM
Ação contra o tráfico no Complexo de Israel reúne mais de 200 policiais e teve impactos no trânsito, escolas e serviços de saúde.
A Polícia Militar deflagrou, nesta segunda-feira (24), uma operação em Vigário Geral e Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio, como parte de uma ofensiva contra traficantes do Complexo de Israel. A ação mobiliza mais de 200 policiais militares e tem entre os objetivos combater disputas territoriais, práticas de intolerância religiosa e ações de grupos criminosos na região.
Durante a operação, houve intenso confronto entre policiais e criminosos. A Avenida Brasil e a Linha Vermelha foram interditadas preventivamente, mas já foram liberadas.
Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR), da Prefeitura do Rio, a Avenida Brasil ainda apresenta impactos no trânsito. No sentido Centro, há reflexos a partir do Trevo das Margaridas. Na direção da Zona Oeste, são registradas retenções a partir da Rua Bulhões Marcial.
A operação também tem como alvo práticas de perseguição e intolerância religiosa atribuídas ao tráfico contra minorias, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos.
Segunda fase da operação
A ação desta segunda-feira é considerada a segunda fase de uma operação iniciada na última sexta-feira, quando policiais atuaram nas comunidades Cinco Bocas, Pica-pau e Cidade Alta.
Na Cidade Alta, os agentes permaneceram na região após a identificação, pela primeira vez, de carros-bomba utilizados por traficantes. Segundo a PM, também foram encontradas barricadas com explosivos que poderiam ser acionados à distância durante a aproximação das forças de segurança.
Segundo o major Maicon Pereira, porta-voz da PM, a operação também busca impedir confrontos entre criminosos do Complexo de Israel e grupos das comunidades de Dourados, Tinta, Quitungo e Complexo da Penha.
“Essa é a segunda fase de uma ação iniciada na sexta-feira, quando a Polícia Militar atuou na Cidade Alta, onde mais de nove veículos foram recuperados e mais de dez toneladas de barricadas foram removidas.” — Major Maicon Pereira
A PM informou que a Cidade Alta possui uma posição topográfica considerada estratégica, que pode ser utilizada por grupos criminosos para ampliar a observação, o controle territorial e a capacidade de enfrentamento às forças de segurança.
“Com a estabilização daquela área, a Polícia Militar avança para uma segunda fase da operação, com foco nas localidades de Parada de Lucas e Vigário Geral.” — Polícia Militar
Estrutura mobilizada
Participam da operação agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães (BAC), Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE), Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom), Grupamento Aeromóvel (GAM) e Núcleo de Apoio a Operações Especiais (NAOE).
A estrutura empregada inclui 40 viaturas leves, 15 motocicletas, cinco Veículos Blindados de Transporte de Pessoal (VBTP), uma ambulância do Bope, um Núcleo de Aeronave Remotamente Pilotada (NuARP) e duas aeronaves, sendo uma delas blindada.
Impactos na rotina dos moradores
A operação provocou alterações no funcionamento de serviços públicos da região.
Quatro unidades escolares localizadas em Vigário Geral e Parada de Lucas suspenderam as aulas nesta segunda-feira.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, duas unidades de Atenção Primária fecharam as portas e avaliam a possibilidade de retomar o atendimento nas próximas horas.
Outras três unidades de saúde permanecem abertas, mas suspenderam atividades externas, como visitas domiciliares.





