CotidianoRio de Janeiro

Chuva pode fazer setembro ser o mais chuvoso no Rio em 30 anos

Cidade teve apenas dois dias sem registro de precipitação na primeira metade do mês; previsão indica chuva até quinta-feira e tempo mais seco a partir de sexta

Setembro de 2026 pode terminar como o mês mais chuvoso da cidade do Rio de Janeiro nos últimos 30 anos. Segundo o Centro de Operações do Rio (COR), este já é o quarto setembro com maior volume de chuva desde o início da série histórica, em 1996.

O levantamento é feito pelo Alerta Rio, sistema de monitoramento meteorológico do município. Até esta quarta-feira (16), apenas dois dos primeiros 15 dias do mês, 3 e 4 de setembro, não tiveram registro de precipitação em solo carioca.

O volume elevado de chuva está relacionado a uma combinação de fatores atmosféricos, segundo análise do meteorologista Cesar Soares, da Climatempo, e informações do COR.

Entre os principais fenômenos estão as sucessivas passagens de frentes frias, o transporte de umidade e a atuação de áreas de instabilidade. O período também teve influência de cavados meteorológicos, que podem deslocar áreas de instabilidade para a Região Metropolitana do Rio.

“Além das sucessivas passagens de frentes frias, que favorecem chuvas persistentes, tivemos outras condições atmosféricas que também trouxeram muita chuva para a cidade, como os cavados meteorológicos. O fenômeno consiste em ondulações de vento que acabam arrastando áreas de instabilidade de outros lugares para a Região Metropolitana fluminense. O cavado ocasiona a concentração de chuva nesse local.”

— Cesar Soares, meteorologista da Climatempo

Influência do Atlântico

De acordo com o meteorologista, o volume de chuva registrado no Rio não está relacionado ao El Niño. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal de áreas do Oceano Pacífico próximas à Linha do Equador.

Segundo Soares, as condições observadas no Sudeste estão mais associadas à dinâmica do Oceano Atlântico. A variação das temperaturas na região favorece a passagem mais frequente de frentes frias, além da presença de nebulosidade e de massas de ar de origem polar.

“O que acontece no Sudeste, que inclui o Rio de Janeiro, está muito mais voltado para o que está rolando no Atlântico e menos relacionado ao que está acontecendo no Pacífico.”

— Cesar Soares, meteorologista da Climatempo

O COR destaca que setembro é um mês de transição entre o inverno e a primavera e, por isso, já pode apresentar aumento das chuvas no Rio. A frequência e a intensidade desses fenômenos, porém, variam de um ano para outro.

Previsão para os próximos dias

A previsão da Prefeitura do Rio indica continuidade das condições chuvosas nesta quarta-feira (16) e durante a manhã de quinta-feira (17), em razão do transporte de umidade do oceano para o continente.

A partir de sexta-feira (18), não há previsão de chuva. Mesmo assim, a umidade trazida pelos ventos oceânicos deve manter o céu bastante nublado na cidade.

A expectativa é de que o mês continue marcado por temperaturas mais baixas e períodos de chuva. Segundo Cesar Soares, novas pancadas podem ocorrer ao longo das próximas semanas, inclusive com volumes elevados capazes de provocar alagamentos.

“Mesmo que do oceano, esse é o outro fator de influência no setembro chuvoso.”

— Cesar Soares, meteorologista da Climatempo

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