Depoimento à Polícia Civil contradiz versão do policial, que afirmou ter efetuado disparo involuntário durante abordagem em Icaraí
Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil afirmou que o pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, já estava com a motocicleta parada e com as mãos para o alto quando foi baleado durante uma abordagem policial em Icaraí, Niterói, na noite de sábado (12).
Segundo o depoimento prestado à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), dois policiais militares do programa Segurança Presente abordaram Danilo, que estava em uma motocicleta vermelha. Ainda conforme a testemunha, um dos agentes utilizou spray de pimenta contra o motociclista e, na sequência, outro policial efetuou o disparo que atingiu a cabeça do jovem.
Danilo caiu no chão após ser baleado. A testemunha relatou ainda que o policial que efetuou o disparo desceu da motocicleta, chutou a vítima e revistou seus bolsos. Segundo o depoimento, o chute não aparentou ter sido uma agressão, mas uma tentativa de verificar se o rapaz estava consciente.
Policiais apresentam outra versão
Em depoimentos à DHNSGI, os dois policiais apresentaram uma versão diferente da relatada pela testemunha.
Um dos agentes afirmou que Danilo teria avançado um sinal vermelho e, por isso, passou a ser perseguido pelos policiais. Segundo o militar, o motociclista também teria empinado a moto durante a fuga, mas acabou sendo alcançado em razão de um congestionamento.
O policial disse que utilizou spray de pimenta para tentar impedir que Danilo continuasse fugindo.
O agente responsável pelo disparo afirmou que o motociclista teria passado pelo semáforo em alta velocidade. Segundo seu relato, após o outro policial usar o spray de pimenta, ele desembarcou e viu Danilo fazendo um movimento com a mão em direção à cintura.
O PM declarou que sacou a pistola para aumentar a atenção durante a abordagem, mas que o disparo ocorreu involuntariamente. Ainda segundo o policial, ele revistou Danilo depois do tiro e não encontrou nenhum objeto ilícito.
Estado de saúde é grave
Danilo está internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. Segundo o pai do jovem, o educador físico Jander Luiz de Souza Alves, o filho passa por exames para verificar se ainda há atividade cerebral.
O pai contesta a versão de que o disparo tenha sido acidental.
“Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo. Espero que não coloquem meu filho como bandido, porque ele era trabalhador, assim como toda a nossa família, que tem muitas mulheres professoras e homens militares” — afirmou Jander.
O tio de Danilo, Douglas William Souza Alves, suboficial da Marinha do Brasil, descreveu o sobrinho como um jovem alegre, honesto e reservado.
“É um menino muito próximo da família e educado. Sou tio paterno dele e o tenho como se fosse meu filho. Temos total afinidade. Ele está sempre na casa da minha mãe tomando café” — relatou.
Apesar da gravidade do quadro, Douglas afirmou manter esperança na recuperação do sobrinho.
“Tenho fé e esperança de que o Danilo sairá dessa. Em breve, ele estará em nosso convívio. Estamos em oração para isso” — disse.
Polícia busca imagens da abordagem
O caso é investigado pela DHNSGI, que procura câmeras de segurança que possam ter registrado a abordagem e o momento do disparo.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias do tiro e confrontar as diferentes versões apresentadas sobre o que ocorreu durante a ação policial.





