80% dos idosos no Brasil usam exclusivamente o SUS para saúde
Com cerca de 36 milhões de pessoas idosas, Brasil amplia estratégias de atendimento pelo SUS enquanto essa parcela já representa 17% da população.
Cerca de 80% das pessoas idosas no Brasil utilizam exclusivamente os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo dados do Ministério da Saúde. O grupo reúne aproximadamente 36 milhões de brasileiros e já corresponde a 17% da população do país.
O cenário ganha destaque no Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, mesmo período em que a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) completa 20 anos.
Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, o SUS vem ampliando estratégias de prevenção, acompanhamento e atendimento para atender às diferentes necessidades dessa parcela da população.
Atenção Primária concentra milhões de atendimentos
A Atenção Primária à Saúde (APS) é uma das principais portas de entrada para o atendimento da população idosa. Por estar próxima das comunidades, as equipes conseguem acompanhar os pacientes ao longo do tempo e articular o atendimento com outros serviços da rede de saúde.
Em 2025, foram registradas 509,3 milhões de produções destinadas à população idosa na APS. O número inclui 201,8 milhões de procedimentos, 181,3 milhões de visitas domiciliares, 117,9 milhões de atendimentos individuais e 8,3 milhões de consultas odontológicas.
No primeiro semestre de 2026, foram contabilizadas 267,3 milhões de produções. Desse total, 105,8 milhões foram procedimentos, 96,8 milhões visitas domiciliares, 60,5 milhões atendimentos individuais e 4,3 milhões atendimentos odontológicos.
SUS amplia avaliação e acompanhamento
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa busca preservar, promover e recuperar a autonomia e a independência dos idosos, considerando as diferentes condições de envelhecimento e as necessidades individuais.
Uma das ferramentas utilizadas nesse acompanhamento é o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20), incorporado ao Prontuário Eletrônico e-SUS APS em 2025.
A avaliação permite identificar necessidades específicas e ajuda as equipes de saúde a organizar o atendimento de acordo com o perfil de cada paciente. Desde a incorporação ao sistema, o IVCF-20 já foi aplicado mais de 4 milhões de vezes.
A avaliação pode ser realizada anualmente a partir dos 60 anos e repetida quando houver mudanças relevantes na condição de saúde ou na vida da pessoa idosa.
Atendimento também chega à casa dos pacientes
O cuidado pelo SUS também é realizado no domicílio. Uma das iniciativas é o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), criado para atender idosos com maior necessidade de cuidados, principalmente aqueles que possuem restrição ao leito ou ao próprio domicílio.
A estratégia é desenvolvida pelas equipes multiprofissionais (eMulti), em conjunto com as equipes de Saúde da Família (eSF) e demais equipes da Atenção Primária.
O SUS também mantém o Programa Melhor em Casa, destinado a pessoas de diferentes idades que precisam de atendimento no domicílio, inclusive pacientes que demandam cuidados de maior intensidade.
Vacinação e prevenção ganham espaço
A promoção da saúde e a prevenção de doenças também fazem parte das ações destinadas à população idosa.
Entre as medidas recentes está a oferta da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo-20) nas Unidades Básicas de Saúde para pessoas com 85 anos ou mais. Para esse grupo, não é necessário apresentar pré-requisitos clínicos para receber a vacina.
A medida amplia a proteção contra doenças pneumocócicas e integra as estratégias de prevenção voltadas ao envelhecimento saudável.
Caderneta reúne informações de saúde
Outra ferramenta disponibilizada pelo Ministério da Saúde é a Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa. O material reúne informações sobre direitos, saúde e qualidade de vida, além de permitir o registro de dados pessoais, condições de saúde e histórico de atendimentos.
A caderneta pode ser acessada gratuitamente pelo aplicativo Meu SUS Digital e, segundo o Ministério da Saúde, deverá ser distribuída posteriormente para todas as unidades da Federação.
“Celebrar o Dia da Pessoa Idosa é reconhecer as diferentes formas de envelhecer. E olhar para os 20 anos da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa também é pensar no cuidado que queremos construir para as próximas gerações de pessoas idosas”, destaca Camila Mendes, coordenadora de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde.





