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Por que o cheiro de maconha invade as quadras do US Open?

Legalização da cannabis em Nova York e localização do complexo ajudam a explicar a fumaça que chega às quadras e incomoda os tenistas

O cheiro de maconha voltou a chamar atenção durante o US Open nesta sexta-feira (4), quando a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, interrompeu por alguns segundos a partida contra Kamilla Rakhimova para reclamar do odor à arbitragem.

Sabalenka vencia o primeiro set por 3 a 0 quando apontou a situação para a árbitra Eva Asderaki-Moore e perguntou se alguém poderia fazer algo diante da intensidade do cheiro. A bielorrussa acabou vencendo a partida por 2 sets a 0.

O episódio, porém, não é novo no torneio. Jogadores relatam há anos que o odor de cannabis chega a determinadas áreas do complexo de tênis, especialmente nas quadras mais próximas das áreas externas do Flushing Meadows-Corona Park.

Por que o cheiro chega às quadras?

O US Open é disputado dentro do Flushing Meadows-Corona Park, no Queens, em Nova York. O complexo do Centro Nacional de Tênis Billie Jean King fica cercado por áreas abertas, o que facilita a circulação do ar entre o parque e as instalações do torneio.

A Quadra 17 é uma das áreas onde o problema costuma ser mais perceptível por estar na extremidade do complexo e próxima ao parque.

Em 2023, Alexander Zverev comentou sobre o forte cheiro de maconha no local e comparou a quadra à “sala de estar do Snoop Dogg”.

A Louis Armstrong Stadium, onde Sabalenka enfrentou Rakhimova, fica em uma área mais protegida e no interior do complexo. Por isso, o episódio desta sexta-feira chamou atenção, já que não ficou claro se o odor veio das arquibancadas ou de uma área externa.

Maconha é legal em Nova York?

Sim. O uso recreativo da cannabis por adultos é legal no estado de Nova York desde 2021. A legislação permite que pessoas com 21 anos ou mais possuam e consumam a substância dentro das regras estabelecidas pelas autoridades.

A legalização, porém, não significa que seja permitido fumar dentro do US Open. O complexo administrado pela USTA é considerado uma área livre de fumaça, com proibição para cigarros, cannabis e cigarros eletrônicos.

A organização afirma manter equipes de segurança e atendimento ao público para agir diante de casos de pessoas fumando. A USTA também atua em conjunto com o Departamento de Polícia de Nova York e o Departamento de Parques para tentar reduzir o problema nas áreas próximas ao complexo.

Outros tenistas já reclamaram

Sabalenka não foi a primeira estrela do tênis a mencionar o cheiro durante o torneio. Em 2023, Maria Sakkari questionou a arbitragem durante uma partida na Quadra 17.

Na mesma edição, Zverev também falou sobre o odor. A britânica Katie Boulter relatou ter sentido cheiro de maconha durante uma partida e afirmou que a situação poderia afetar a concentração dos atletas.

Nick Kyrgios e outros jogadores também já fizeram comentários semelhantes ao longo dos anos, transformando o cheiro de cannabis em uma situação recorrente e curiosa associada ao Grand Slam disputado em Nova York.

Sabalenka pede que torcedores evitem fumar perto das quadras

Após a partida, Sabalenka tratou o episódio com bom humor, mas fez um pedido aos torcedores.

“Vocês podem fazer o que quiserem, podem fumar o que quiserem, podem relaxar o quanto quiserem, mas, por favor, não façam isso perto das quadras de tênis”, disse.

A tenista afirmou que não sabia exatamente de onde vinha o cheiro e levantou a possibilidade de o vento ter levado a fumaça de uma área externa para dentro do estádio.

“É um pouco complicado lidar com esse cheiro enquanto você está tentando competir no seu melhor nível”, afirmou Sabalenka.

O episódio evidencia uma particularidade do US Open: embora o consumo recreativo de cannabis seja legal para adultos em Nova York, fumar dentro do complexo é proibido. Ainda assim, a localização do torneio e a circulação do ar fazem com que o odor das áreas próximas possa chegar às quadras.

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