Golpista se passa por técnico do Grêmio para arrancar dinheiro de jogadores
Criminoso usava perfis falsos para ganhar confiança de atletas e pedir dinheiro em supostas ações sociais
A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (2/9) a Operação Falso 9 para investigar um homem suspeito de aplicar golpes em jogadores profissionais de futebol utilizando perfis falsos para se passar por técnicos de equipes. A ação foi realizada por agentes da 126ª DP (Cabo Frio) e da 143ª DP (Itaperuna), em conjunto com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
O principal alvo foi preso em flagrante com munições no bairro São Matheus, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense. Ele é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
A investigação começou após quatro jogadores de um clube de Porto Alegre serem abordados por um número de telefone registrado em nome de outra pessoa e que utilizava a foto do técnico da equipe.
Segundo as investigações, o suspeito estabelecia uma relação de confiança com os atletas antes de fazer pedidos financeiros. Em um dos casos, manteve contato com um jogador durante vários dias, conversando sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos. O criminoso também pediu que as conversas fossem mantidas em sigilo.
Golpe com supostas cestas básicas
Depois de conquistar a confiança da vítima, o suspeito apresentou uma suposta iniciativa para doar cestas básicas a um grupo social no Rio de Janeiro.
O jogador aceitou participar da ação e transferiu mais de R$ 22 mil para a compra de 300 cestas básicas. Segundo a investigação, o dinheiro foi enviado em maio para uma conta bancária controlada pela organização criminosa.
Na sequência, o suspeito tentou obter uma quantia maior. Ele afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, pretendia contribuir com mais 600 cestas, no valor de R$ 50 mil, e pediu que a vítima antecipasse o pagamento.
A segunda transferência não foi realizada porque o valor ultrapassava novamente o limite bancário do atleta. Os outros três jogadores abordados também não chegaram a fazer pagamentos.
Lavagem do dinheiro
De acordo com a investigação, o esquema contava com uma estrutura em Itaperuna para movimentar e lavar os valores obtidos com as fraudes.
Os recursos eram inicialmente depositados em contas bancárias de moradores do município e posteriormente encaminhados ao criminoso.
O trabalho de inteligência identificou ainda que o número utilizado nas abordagens havia mantido contato com outros jogadores ligados a clubes brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e um artista de grande popularidade nacional.
Segundo as informações compartilhadas entre as polícias do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, o investigado possui passagens por clubes de futebol e já havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante.





