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Moradores relatam roubos e suposta atuação de traficantes na Pedra do Sal

Comerciantes e moradores afirmam que criminosos ligados ao Morro da Providência fazem patrulhamento informal para impedir assaltos a turistas

A segurança na região da Pedra do Sal, na Saúde, Zona Portuária do Rio, voltou a chamar atenção após a morte de um turista mexicano durante uma tentativa de assalto na madrugada de terça-feira. Moradores e comerciantes ouvidos pelo EXTRA relatam que os roubos a visitantes se tornaram recorrentes e afirmam que traficantes do Morro da Providência passaram a fazer uma espécie de “segurança” informal no entorno.

O turista mexicano Carlos Hernandez Ortiz morreu após cair do capô de um carro durante uma tentativa de impedir a fuga de suspeitos. Um homem identificado como Guilherme do Nascimento Pinto foi preso sob suspeita de participação no caso. Segundo a polícia, ele e outros dois suspeitos são da Pavuna. Em depoimento, ainda de acordo com a investigação citada na reportagem, Pinto afirmou que o trio costumava cometer crimes na região.

Roubos são relatados principalmente após a roda de samba

Segundo relatos obtidos pela reportagem, o período considerado mais crítico é entre meia-noite e 5h, especialmente às segundas-feiras, quando ocorre a tradicional roda de samba da Pedra do Sal.

Os suspeitos costumariam aproveitar momentos em que turistas deixam o local e aguardam táxis ou carros de aplicativo, muitas vezes utilizando o celular. Comerciantes também relatam abordagens de pessoas que aparentam estar oferecendo algum produto ou serviço antes de anunciar o roubo.

Jeferson Braga, de 45 anos, dono de uma mercearia na Rua Sacadura Cabral, afirmou já ter presenciado diferentes tipos de assalto na região.

“Já presenciei assalto de tudo quanto é jeito aqui. Muitas vezes, os criminosos chegam bem vestidos, sem levantar suspeita, abordam o turista como se fossem vender algo e roubam. Uma vez, chegou um motociclista aqui e abordou um turista bêbado exigindo o celular. São ladrões de oportunidade, que se aproveitam da vulnerabilidade do gringo. Desta vez, o caso aconteceu em frente à sede da Polícia Federal. Isso é a certeza da impunidade”, relatou.

O comerciante defendeu ainda a presença de policiamento em pontos estratégicos do entorno da Pedra do Sal, da Praça Mauá e da área próxima à Polícia Federal.

Moradores relatam suposta “segurança” feita por traficantes

De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, criminosos que atuam na região não permitiriam assaltos na área sob influência do grupo. Os relatos apontam que, diante da repercussão dos roubos contra turistas, traficantes ligados ao Morro da Providência estariam descendo para o entorno da Pedra do Sal em dias de maior movimento.

“Chegamos ao ponto de os bandidos daqui, que não gostam de assaltos, terem que descer e tomar conta da área, porque está demais. Se eles pegam quem está roubando, levam lá para cima e dão um corretivo”, contou um comerciante, sem se identificar.

As informações são relatos de moradores e comerciantes ouvidos pela reportagem e não foram apresentadas como uma atuação oficial de segurança pública.

A Polícia Civil informou que, até o momento, não havia localizado registro de ocorrência com as características relatadas na delegacia da região. A corporação ressaltou a necessidade de que os casos sejam formalmente registrados para que possam ser investigados e os responsáveis identificados e responsabilizados.

Comerciantes mantêm segurança privada na Pedra do Sal

Além dos relatos sobre a suposta atuação de criminosos locais, comerciantes da própria Pedra do Sal afirmam manter um esquema de segurança privada para proteger frequentadores e estabelecimentos.

Segundo os comerciantes, o custo é dividido entre barraqueiros e donos de bares. Às segundas-feiras, cerca de 30 vigilantes atuam durante a roda de samba. Aos sábados e domingos, são dez profissionais em cada dia. A diária do serviço ultrapassa R$ 100 para cada empreendedor.

José Lucas Teixeira, de 71 anos, dono de um bar na Pedra do Sal, afirmou que considera o ponto turístico seguro e atribuiu parte dos problemas aos crimes registrados nas áreas externas.

“Roubos acontecem em qualquer lugar onde tem muita aglomeração. Mas aqui, em geral, é muito seguro. Só que os crimes acontecem aí fora e colocam na nossa conta”, afirmou.

Um comerciante do Largo de São Francisco da Prainha disse que também orienta clientes a redobrar os cuidados com celulares e outros pertences, principalmente nas áreas públicas do entorno.

A estudante Letícia Santos, de 24 anos, que trabalha nas proximidades e frequenta a Pedra do Sal, contou que adota medidas para evitar ser vítima de roubo.

“Deixo minha bolsa sempre virada para a frente e não tiro celular. Também evito aproximação de pessoas desconhecidas.”

Moradores relatam medo e adotam medidas de proteção

A insegurança também levou alguns comerciantes a adotar medidas próprias de proteção. Um empreendedor relatou manter uma faca sob o balcão e ter buscado treinamento em artes marciais.

“Ou eu mato ou eu morro. É um sentimento de indignação que predomina. Isso aqui está abandonado. Virou um circo, e a gente é quem paga a conta”, reclamou.

Segundo relatos de comerciantes, há também casos em que suspeitos de furtos ou roubos são agredidos por pessoas no próprio local. Em 2024, um homem acusado de roubar celulares foi espancado na Pedra do Sal após um furto contra um turista do Paraná.

O episódio envolvendo o turista mexicano, porém, reacendeu a discussão sobre a segurança de visitantes em uma das áreas turísticas e culturais mais movimentadas da Zona Portuária do Rio.

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